quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Entrevista do Falando de RPG com os Antologistas da Antologia Super Heróis da Editora Draco

Olá pessoal! Hoje nós vamos dar continuidade a nossa semana temática super heróis, traremos neste post a entrevista com os antologistas da antologia super heróis, que sairá pela editora Draco, para aqueles que não viram nossa matéria aqui está mais uma oportunidade de vê-la e conferir Antologia Super Heróis.
Então sem mais delongas vamos deixar que é Luiz Felipe Vasques e Gerson Lodi-Ribeiro se apresentem e falem um pouco sobre a antologia e claro sobre os supers. Como sempre não esqueçam de comentar!

Nossos heróis e supers! 


>> Olá galera! Antes de começarmos nosso bate papo vocês poderiam se  apresentar?

[LFV] Meu nome é Luiz Felipe Vasques, sou formado em design gráfico, com especialização em Animação e dispersão em História, Ficção-Científica, Literatura, Cinema, role-playing games, etc.

[GL-R] Sou Gerson Lodi-Ribeiro, escritor e antologista de ficção científica e história alternativa, desde sempre.

>> Bem, com as devidas apresentações feitas, vamos a primeira pergunta: como
surgiu a ideia da antologia de contos sobre super heróis?
[LFV] Eu tive esta ideia ano passado, lá por Março ou Abril e quis que um amigo, já com alguma experiência em organizar antologias, a executasse. Prontamente ele rasqueteou-me de volta, "Por que VOCÊ não faz?" Pensei, entrei em contato com a Draco, e o Erick disse que sim, desde que, face à minha inexperiência prévia, tivesse um antologista já tarimbado no projeto, também. Sobrou pro Gérson. Aí, mãos à obra...

[GL-R] De lá para cá montamos as guidelines e estamos analisando as submissões recebidas.

>> O que vocês consideram como elementos inalienáveis desse gênero fantástico?
[LFV] Pra toda regra gerada, há exceções... perceba: para mim, inalienável é o elemento sobrenatural (origem alienígena, experimentos que saem do controle ou avançado demais ao ponto que escapa às leis do conhecimento, maldição ou benção de seres do além, destino) a respeito de sua origem e habilidades (vôo, etc.). Tão importante quanto é ter, como eu digo, o coração no lugar certo: proteger, salvar, ajudar, etc.  Só que um sem o outro não tem o super-herói. Vc pode ter o anti-herói, vc pode ter o super-vilão, ou o super não-tô-nem-aí. Mas o super-herói tem que ser aquele chato. :) O que, para fins de antologia, não quer dizer que não estejamos evitando histórias no estilo "Kick-Ass", percebam... como disse, para toda regra gerada, há exceções... ;-)

[GL-R] Há histórias que pertencem ao gênero fantástico e outras que, embora não inseridas nesse gênero, possuem elementos fantásticos. A diferença é que um trabalho do gênero fantástico — seja ficção científica, horror, fantasia, história alternativa, etc. — não pode ser contada sem esses tais elementos fantásticos.No caso de histórias fantásticas de super-heróis, sim, estamos falando de superpoderes. Porque, em última análise, superpoderes são elementos fantásticos por excelência. Só que, como o Luiz falou, não adianta apenas ter superpoderes. O que define o herói é a decisão de fazer o que é preciso, o que é certo.

Nós também temos super heroínas bonitas e poderosas


>> Falando mais especificamente da antologia, vocês afirmaram que os heróis devem preferencialmente viver suas aventuras em terras lusófonas, partindo desse princípio, o que vocês consideram mais atrativo e mais complicado  nessa ambientação?

 [LFV] Há um tempo atrás, saiu um livro -- vou ficar devendo a referência --afirmando que só um país como os Estados Unidos da América poderiam criar os super-heróis. E eu acho que tem razão: passa por uma auto-imagem de "nascidos para vencer", o fato que decidiram as duas guerras mundiais quando nelas entraram, raízes Calvinistas, crer em um Destino Manifesto, líder em indústria e tecnologia, maior mercado do mundo, superpotência nuclear, mercado gráfico firme, tradição/escola em folhetins, idem em histórias em quadrinhos, etc. 
Isto está longe de ser o Brasil ou o Portugal que conhecemos, onde a auto-estima não está em alta, via de regra; e aqui, ainda achamos que malandragem é a resposta pra tudo. Imagino que seja um dos motivos em falhar em crer que possamos ter histórias - olha as aspas - "sérias"
de super-heróis por aqui, embora haja e tenha havido no passado (como o Judoca e mesmo o Capitão Aza, o mesmo do programa infantil dos anos 70). Parece que Supers, por ser uma "coisa de americano", aqui só é permitido se for na base da sátira. O desafio passa então a ser este: um herói, e super, estabelecido em países e culturas não tão "vencedores" assim. E sinceros.
Desafio não tão distante, diga-se de passagem, como quando acreditava-se (ainda mais) que "Ficção Científica é coisa de americano"... acho que estamos superando esta fase, não?

[GL-R] Trata-se, no fundo, de um desafio. Uma proposta de fugir da mesmice. Porque, nossos autores brasileiros e portugueses conhecem melhor a realidade de seus países do que a realidade norte-americana e, como sabemos, é mais fácil escrever sobre o que se sabe. Além disso, se o leitor em potencial se interessa por uma antologia brasileira sobre super-heróis, é porque deseja entrar em contato com histórias de super-heróis escritas com um tempero diferente, o sabor luso-brasileiro. Queremos alcançar justamente essa parcela do público que já anda farta de ler aventuras sempre iguais de um super-herói anglo-saxão pasteurizado.  Até porque, se for para escrever sobre um herói anglo-saxão defendendo, sei lá, Metropólis, Nova York ou Gothan City, com toda a probabilidade um autor anglo-saxão já escreveu essa história melhor do que o autor lusófono que está nos mandando a submissão agora e, pior ainda, a maioria do nosso público leitor já leu essa história antes. 

Para os escritores, que escolheram a antologia de super heróis como seu primeiro concurso, quais são suas recomendações?
[LFV] Respeite os seus personagens e a sua história. É tão válido quanto outro gênero qualquer que você empenhe.

[GL-R] Talvez valha a pena lembrar que literatura e HQ são mídias distintas. Num texto, o autor precisa mostrar ao leitor o que está acontecendo sem o auxílio das ilustrações. Repare que falei “mostrar” e não “contar”.

Não, esse não é o Ciclope é o Raio Negro um super brasileiro 

>> Antes de acabarmos nossa entrevista eu pergunto: qual é o seu super heróis favorito e se você pudesse ter um super poder qual seria?

[LFV] Só um?


[GL-R] Sei lá. Não queria ter nenhum, não. Acho que esse lance de superpoder traz mais problema do que solução. Depois, você vai ter que passar o resto da vida salvando uns bobalhões que não sabem se cuidar sozinhos e levando porrada de supervilões... O.k., o.k., as uvas estão verdes, certo? Falando sério? Telepatia. Desde que viesse com botão de liga/desliga.  








Obrigado pela entrevista e deixem seu recado para os leitores do Falando de RPG.
[LFV] Leiam.


[GL-R] Isto! E, de preferência, o que nós escrevemos e publicamos!



Obrigado,
Gerson.