quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

REINOS & RUÍNAS: História Recente do Cenário

Este post ficou grande, pois eu não gostaria de dividi-lo em diversas partes para que a leitura não se tornasse fragmentada e a linearidade se diluísse, contudo, mesmo assim eu gostaria de mais uma vez compartilhar um pouco do cenário que desenvolvo desde 2009 com aqueles que acompanham o Falando de RPG, então sem mais delongas, aí vai. 



HISTÓRIA RECENTE DE ERENOR

O início da história recente de Erenor Centro data de antes da formação das cinco cidades-reinos da aliança e o seu tratado. Ela começa no surgimento, ascensão e queda daquele que ainda é conhecido como o mais esplendoroso Império que este continente já conheceu, Esloth, o império unido, posteriormente renomeado para o império abissal.

Esloth foi formada pelos sobreviventes de um reinado antigo e glorioso do norte chamado Kaulan. Os nortistas não eram como os outros humanos, possuíam uma longevidade incomum, se denominavam descendentes dos primeiros homens e autoproclamavam-se Kaularianos fiéis.

Naquela época, até a chegada dos nortistas, várias comunidades humanas se governavam a bel prazer guerreando e estabelecendo a paz ao seu tempo, mas isso não durou muito, pois o tempo e o poderio dos Kaularianos fez surgir à união e os homens se agruparam sob a imponência de uma só bandeira.

Este povo travou guerras com as criaturas do mundo e os seres odiosos, subjugaram e fizeram alianças, demonstrando seu poderio e conquistando o vasto território. Não demorou para que se associassem com os Anões em prol do comércio lucrativo ou que os Elfos estabelecessem uma amizade distante, uma vigia sobre os Kaularianos.

O esplendor do império nascente conquistava quase todas as terras da superfície, causando admiração nos Anões. Os Elfos se assustaram com tamanho poder que germinava e fortificaram suas fronteiras, mas suas terras não interessavam aos homens, que respeitaram o acordo feito e em meio a esta perplexidade, surgiu Esloth.

Muitas raças viveram nos domínios do reino e com o tempo até os Elfos se acostumaram com a grandeza e passaram a ver os eslothianos como aliados.Nas fronteiras de Esloth, podiam ser encontrados toda sorte de pessoas pertencentes a um dos povos que hoje ainda andam neste vasto continente, o que levou Esloth a ser chamado de Império Unido.



SEDE DE CONHECIMENTO

Esloth era governado com sabedoria e bondade, um verdadeiro orgulho e legado de Kaulan, mas os anos se passaram e a ambição sobreveio aos corações dos nobres. o prestígio e o poder eram insuficientes e o que era herança tornou-se aos olhos da casa real apenas uma caricatura mal feita de um inalcançável passado glorioso.

Reunindo todos os místicos e sábios de confiança, a casa real executou um ritual blasfemo que mudaria o mundo como jamais fora visto antes. Enquanto sob o mar de estrelas a cidade imperial repousava, eles ascenderam às chamas mágicas com palavras de maldição e evocaram aqueles que estão para além do limite do universo em busca do seu poder imensurável.

No início o pacto pareceu bom, pois tudo era mais forte e belo. A mágica floresceu como nunca e Esloth tornou-se a casa dos maiores ourives e ferreiros mágicos que este mundo já conheceu. No entanto, o coração dos humanos pouco a pouco enegrecia e murchava e a casa real abandonava a honra caindo nas garras da maldade e da loucura.

Logo, a doença conhecida como Mácula começou a se manifestar na aristocracia de Esloth, os humanos que evocavam o pacto como fonte de poder eram tocados pelo abismo e logo se transformaram em demônios. Houve uma crise conhecida como a Contenta da Família, que culminou em alto pagamento pelo contrato de corrupção. No primeiro alinhamento de planetas após o Pacto, um portal foi aberto ligando o Abismo e Erenor, dele saíram os Lordes Demoníacos que começaram a governar o império.

O Império de Esloth ficou conhecido como Império Abissal e as criaturas do abismo fizeram da vida daqueles que relutaram a adorá-las um inferno. O sol perdeu o brilho de sua luz e as noites se tornaram mais longas, houve caça incessante, o terror e o medo foram levados ao coração dos inocentes.

A sombra engolfou cada parte do que havia sido construído ou feito para o bem, os demônios reis de Esloth transformaram servos em escravos e seus soldados em mercenários sedentos por destruição. As antigas bandeiras foram prostradas e bandeiras vermelhas e negras foram erguidas para tremular em meio aos céus cinzentos.

A verdadeira religião foi perseguida, os adoradores de Arkel foram martirizados por onde que que os Espectros Inquisidores os achassem. Muitos milhares foram feitos escravos, a maioria Halfling e Humanos, e tantos outros indivíduos dos mais diversos povos viveram sob o medo, esgueirando-se nos ermos como proscritos.

Alguns humanos encontraram refúgio entre Anões amigos, outros acabaram fugindo para os extremos desta terra onde estranhamente encontraram outros humanos que por estarem isolados eram livres do domínio do medo de Esloth. Neste período, os meio-orcs nasceram, fruto do sadismo dos demônios reis que se divertiam vendo Orcs abusarem de mulheres humanas. Os Troca Peles foram descobertos e velaram por alguns dos Humanos, o que nem sempre é lembrado.

Apenas os Elfos não auxiliaram os Humanos, pois os magos de Esloth violaram e abusaram de sua floresta tornando-a um lugar escuro e ressentido, ferida que até os dias de hoje ainda não foi de todo curada por mais que alguns afirmem que a existência de meio elfos demonstre o contrário.



UMA NOVA ESPERANÇA

Por décadas afins, os seres de bom coração sofreram com as maldades provindas de Esloth, o crepúsculo promovido pelo império infernal parecia não ter fim. Mas uma nova esperança nasceu, quando um grupo de Clérigos recebeu sonhos e visões reveladores da existência de um poderoso artefato capaz de por um fim ao mal que vigorava. Ao final da primavera morta daquele ano, um exército fora formado pelas mais diversas etnias humanas e algumas centenas de ilustres indivíduos de outras raças.

No ano de 4 A. G, na margem oeste do Grande Rio, entre os vales ocidentais das Montanhas da Lança o Exército da Redenção se organizou e partiu, suas bandeiras tremulavam ao vento desafiando os soldados de Esloth para a derradeira batalha. Era chegada a hora da guerra que marcou para sempre o destino do mundo.

Sangue e suor se misturaram, o brandir de machados e espadas se mesclaram com o ruído de trovões. Sob as nuvens negras ou o céu vermelho da noite, magias e feitiços se confrontaram em duelos arcanos, enquanto orações e maldições se digladiavam como se os anjos tivessem descido do céu para enfrentar os demônios do abismo.

Enquanto isso, um grupo de bravos heróis arriscou a vida cruzando o mundo até o extremo oeste dos Picos Antigos para se apoderar do poderoso objeto divino profetizado, o Selo Eternal. Eles enfrentaram desafios inimagináveis, mas voltaram vitorioso, trazendo em suas mãos a certeza do triunfo.

Após meses de campanha, ao retornarem os legendários aventureiros testemunharam a derrota iminente. Muitas tropas já haviam caído e os batalhões perseverantes não resistiriam muito, pois suas feridas eram profundas. Mas o que estava na posse daqueles campeões era um artefato de poder extremo e os ventos da mudança começaram a soprar.

O coração dos combatentes se encheu de ânimo, milhares foram curados e outros muitos que estavam mortos ressuscitaram sob influência do divino poder. O próprio céu pareceu responder com vigor aquela graça e dissipou as nuvens negras com poderosos raios de sol. Uma nova canção de guerra foi composta naquele dia e seu refrão ainda ecoa escrito nas cidades-reinos ou proclamado pelos integrantes do Exército da Aliança:

Para a Morte, pela Vida
Sob esta luz, a bondade jamais esquecida
Vigorará na ponta da espada e na conjurada magia

Para a Morte, pela Vida
Glória perpétua sobre a autoridade sombria
Ante a esperança, que a maldade não sobreviva

O Selo brilhou como estandarte de vitória abrindo caminho entre os exércitos abissais. Machados, espadas, lanças e encantamentos rompiam a carne maldita ferindo peito e cabeça dos inimigos, enquanto a multidão do Exército da Redenção gritava o nome de Arkel. Foi em meio a ultima batalha que a Aliança germinou e os nomes das cinco cidades-reinos começaram a serem proclamados, não como estados, mas como exércitos. A guerra tomava os ares do fim e a vitória descansava agora nas mãos do que posteriormente ficou convencionado a ser chamado de a Aliança dos Povos Libertos.

No fim os demônios reis que comandavam Esloth foram banidos pelo Selo Eternal que foi escondido, onde ninguém dos dias de hoje sabe. Com o mal aprisionado para além do universo novamente, os humanos distribuíram parte da terra que fora o império, as chamando pelos nomes de seus exércitos. Ao todo nasceram da Aliança dos Povos Livres cinco cidades-estados humanas, governadas por aqueles que se mostraram os mais bravos e corajosos nos tempos de tormenta as quais até hoje são chamadas de Aquerom, Etunir, Perenor, Ernost e Ornost. Outras raças restabeleceram seus territórios antigos e colonizaram outras terras em um novo tempo de paz e prosperidade.



POEIRA, CINZAS E RUÍNAS

Por muito tempo a paz reinou entre as cidades-reinos e um exército conjunto foi mantido por pessoas de todas as nações, o chamado Exército da Aliança. Eles juravam proteger o mundo da volta dos males antigos e estabeleceram como regra de prática a Paz Vigilante. No decorrer de toda a Planície de Sangue, o Exército torres de vigia para que as ruínas da antiga capital no sul sempre estivessem em observação.

No entanto, os humanos tem vida curta e as promessas e o fervor para com elas frequentemente morre com o passar das gerações. Eles esqueceram dos votos de união e fidelidade, a ganância se fez presente no coração dos Humanos e as desavenças entre as cidades começaram a surgir. O Exército da Aliança começou a se tornar uma força decadente e sorrateiramente o mal que esgueirava-se nas sombras começou a ameaçar os mais frágeis.

Assim, nas proximidades das Montanhas Vermelhas, Etunir travou uma guerra com Perenor pelo controle dos Pergaminhos Gêmeos, artefatos de uma sabedoria imensurável. No sul, as ruínas da antiga capital imperial foram tomadas por uma força maléfica inexplicável e as cidades-reinos Ornost e Ernost foram as únicas que se prontificaram a continuar alimentando o Exército da Aliança – com os piores tipos de pessoas que poderiam, na maioria das vezes- em uma tentativa de conter o que estava para além das Planícies de Sangue.

Aquerom, cidade-reino que ficou conhecida como guardiã dos conhecimentos do mundo, sofreu com um grande incêndio, fruto do ataque conjunto de tribos de orcs e goblins sob o comando de um místico não-vivo chamado Necrom, o escuro, fato que quase a levou à ruína por completo, o que só não aconteceu graças ao Paladino Alarim e sua Lança do Sol.

O fato é que as cidades-reinos se distanciaram umas das outras, sustentando apenas esparsas relações comerciais. Apesar dos governantes serem em sua maioria de bom coração, as antigas relações ficaram para trás e cada cidade mais parece um ponto de luz perdido em meio ao mundo desconhecido que cerca os povos de Erenor.

Por hoje é só!
Se você gostou não deixe de comentar.
Nos acompanhe também no Facebook: https://www.facebook.com/FALANDO DE RPG
Nos siga no twitter: @alvaroelisio
Torne-se nosso padrinho: https://www.padrim.com.br/FALANDO DE RPG