quinta-feira, 15 de julho de 2010

Estrangeiros em Terras Distantes: Um Confronto Contra a Cultura dos Personagens

Heróis viajam o mundo inteiro e por vezes até para fora dele, eles deixam seus familiares e amigos no ímpeto de salvar a terra e tudo que conhecem  ou apenas de fazer fama, adentrando  através dos véus da civilizações e da selvageria vendo, ouvindo e sentindo o que seus próximos jamais imaginaram existir. 
Uma frase como esta define muito bem o que se pode e geralmente se encontra em campanhas de fantasia medieval, o exótico e o incomum batem a porta sempre em forma de desafios e culturas.
Mas, o que realmente isso significa? Adentrar em terras novas, ser estrangeiro será mesmo que isso é tão fácil? Será que viver conhecendo os quatro cantos do mundo não pertencendo a lugar nenhum é uma maravilha? Bem meus queridos leitores acho que não, afinal as situações são bem mais complexas do que parecem.
Não falo de monstros e perigos normalmente encontrados por aventureiros, falo da diversidade do mundo das particularidades culturais que existem em cada parte como elas também podem e devem ser usadas pelo mestre como tempero para suas aventuras, pois a singularidade é uma ferramenta de enriquecimento das sociedades e como não usá-la no caso do RPG  onde as civilizações são tão exóticas?
Bem senhores e senhoritas vejo no confronto das culturas uma grande arma porque através dele podemos criar aventuras inteiras e até se bem planejada uma campanha de alta qualidade, através do choque cultural também podemos causar nos jogadores a sensação de dinamismo do mundo, afinal vários costumes levam a reflexão que as pessoas não são iguais que não dão valor as mesma coisas e que os personagens  podem por exemplo não serem considerados tão heróicos assim, ou simplismente serem ignorados.
A falta de tolerância, algo muito normal em boa parte dos grupos que já joguei, fornece o combustivel necessário para grandes conflitos, pensem comigo como um clérigo de um deus pacífico sairia-se em uma sociedade que prioriza a matança? Ou quem sabe como reagiria um guerreiro apaioxonado pelo combate em uma civilização que abomina armas e o ato de guerrear? A grande indagação seria como tais personagens se comportariam diante da deconfiança e do preconceito e se de algum modo eles agissem de forma rude e danosa  quais seriam as consequências para o grupo por completo?
O interessante de jogos medievais fantasticos é que as coisas transpassam as barreiras do lógico e do conhecido permitindo a imaginação florir de maneira livre e perpétua, o que quero dizer com toda essa poesia é simples, os conflitos podem ficar ainda maiores e mais belicosos, já imaginaram se o idolatrado e lendário grupo dos jogadores adentra-se em um plano onde os seres tivessem sangue de deuses, mesmo o mais fraco? Provavelmente eles seriam considerados escravos, servos ou na melhor das hipóteses incapazes.
Como dizem os antropólogos o encontro com o outro nos conscientiza do nosso eu e nos permite a visão de que para o outro também somos um estranho, essa afirmação é muito valiosa em termos rpgisticos porque nos revela a possibilidade de mudança interpretativa particular de cada jogador, um desenvolvimento, uma resposta mediante as situações inusitadas de um choque cultural.
Para finalizar acho que existe um grande potencial nas viagens e andanças de um grupo de d&d por exemplo, pois seus integrantes invadem praticamente outras realidades, outras sociedades que têm determinados tipos de valores antagonicos aos seus, dessa forma acho que devemos dar mais atenção aos nuances interpretativos que o convivio com outros povos podem trazer e não apenas nos ligarmos nos combates legais com monstros bizarros que podemos encontrar pelos mundos de jogos !

Um abraço e comentem!