terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Abismo Social: Revelando aos Jogadores O Além do Heroísmo

Olá pessoas que acompanham o blog hoje venho conversar com vocês sobre um assunto que acho ser pouco abordado nos RPGs de fantasia medieval, mas que pode dar bons frutos  principalmente em aventuras  voltadas para a interpretação, estou falando especificamente da esfera política.
Entretanto não me restrinjo aqui a colocar em nossa reflexão a parte jurista da política, pois as linhas que se seguiram não explanarão diretamente sobre leis e governantes, reis e suas intrigas, mas sim sobre algo mais profundo, úmido e escuro, falo de uma parte do universo político esquecida pelos holofotes, falo das minorias, daqueles que estão a margem e além do heroísmo, os que habitam no abismo social.
Qual é a razão de inserir esses elementos em nossa aventura/campanha?Bem acredito que um choque de realidade nos torna mais sensíveis,dessa maneira temos dois ganhos: primeiramente a exploração da parte narrativa e talvez uma reviravolta no ponto de vista dos personagens, posteriormente o choque na ficção pode se tornar mais real e conscientizar o jogador como agente político em nossa sociedade.
A primeira coisa que é bom frisar é que mesmo ladinos não fazem parte do abismo social, aqueles que estão a margem da lei ainda tem atenção e são poderosos de algum modo, ainda exploram ou lutam contra a exploração, resumindo eles são ativos na sociedade mesmo que não do modo legítimo.
Isso então nos remete ao nosso ponto principal, os personagens dos jogadores entrarão em contato com os fantasmas das sociedades, aqueles que vivem nos esgotos sociais e comem apenas as migalhas que sobram daqueles que são aceitos, talvez no seu cenário seja uma etnia, uma raça, escravos ou alguém de crença ou hábito diferente daqueles aceitos pela sociedade.
Especificando ainda mais posso dizer que os heróis conhecerão um lado muito distante da realidade deles, um lado que eles ignoram, um mal que não se materializa em vilões poderosos, mas sim em ideias e preconceitos, muitos desses compartilhados pelos  personagens dos jogadores e que por algum motivo foram mudados.
Dessa maneira os personagens não levantarão suas armas para enfrentar dragões, mas terão de enfrentar a intolerância e o medo do novo de todo um reino, cidade, ordem religiosa, ou vilarejo, talvez indo de encontro com os maiores aliados no intuito de leva-los a entender aquilo que eles já entenderam.
Como vocês podem perceber aventuras que tenham causas sociais como principais combustíveis são tensas e pesadas na sua atmosfera, para alguns talvez monótonas e fora de contexto em um gênero de jogo que preza pelos elementos épicos, no entanto eu acredito que tais aventuras e seus resultados podem influenciar no modo como as coisas se comportarão nos momentos mais épicos da campanha.
Pense bem comigo,aqueles que são oprimidos quando expostos a discursos que os exaltam prometendo igualdade ou superioridade facilmente são seduzidos e se tornam uma força de grande poder, a grosso modo foi o que ocorreu com o povo alemão e o nazismo, não houve apoio para a Alemanha depois da primeira guerra e ela foi esquecida e humilhada quando surgiu alguém dizendo que não precisava ser assim as coisas mudaram.
O que eu quero dizer é que se este problema, ou melhor, se a aventura dos personagens tiver sucesso e os habitantes do abismo social saírem de lá, os personagens e seus aliados ganharão aliados leais que entenderam o valor de um sociedade que os encarou como iguais, mas se por ventura os personagens falhar faça com que eles e seus aliados sintam o peso do preconceito e crie entre os excluídos uma força de grande poder, assim como foi o maléfico nazismo.
Enfim no final das contas a ideia central de todo o texto é mostrar aos personagens dos jogadores que existem outras lutas, que magias e poderes não podem ganhar e que mesmo apesar de parecerem tão insignificantes podem mudar a realidade de uma maneira extremamente radical.

Um abraço pessoas e até breve!