segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Finais que Decepcionam

pow Poe sei que o Relato de Arthur Gordon Pyn é um relato mas não tinha final melhor?
Olá senhores e senhoras estou de volta depois de um período de recesso forçado e hoje quero falar sobre um assunto que essa semana passada me incomodou um pouco, falo de finais que acabam frustrando aqueles que o assistem, leem ou jogam. Escolhi este assunto para sair do meu sono por causa do ultimo livro que li e  do seu final, o qual foi extremamente frustrante para mim, o livro só para não deixar de citar foi O Relato de Arthur Gordon Pym de Edgar Allan Poe.
A primeira coisa que eu quero dizer é que o livro não é ruim, apenas o seu final e isso é o que o torna tão frustrante, pois sua narrativa vai aos poucos perdendo um pouco de brilho e quando achamos  que o livro acabará de forma plausível ele simplesmente é interrompido de forma abrupta. Não contarei mais do que isso para que aqueles que fiquem curiosos e queiram ler e discordar da minha opinião tirem as próprias conclusões.
Entretanto, o que isso tem a ver com RPG?! A resposta é simples e dual, não tem nada e tem ao mesmo tempo tudo a ver, pois todos nós conhecemos histórias de campanhas ou aventuras que acabam com finais forçados ou abruptos, ou seja , um final sem conclusão, quase que interrompido e cheio de brechas.
Tudo bem que as vezes é intencional a sensação de continuidade, no entanto esse final heterodoxo pode ser frustrante para aqueles que acompanham (como no caso de um livro) ou constroem juntos uma história o que pode levar a sérios problemas em futuras narrações.
Para que isso não ocorra algumas dicas são interessantes e válidas, a maioria delas são simples e quase sempre sabemos, entretanto quase sempre esquecemos também então não custa nada lembrar.


Dica1- Resolva as Pontas Soltas 

Nunca em uma conclusão deixe uma ponta da história principal solta, reveja as anotações sublinhe o que não foi usado e insira dentro do desenvolvimento do término da aventura/campanha. Não a nada pior do que deixar de explorar um fato importante que se passou durante as sessões (um segredo por exemplo) e forçar um final tosco quando com esse pequeno detalhe se amarraria a trama de maneira mais coesa.Essa dica também vale para personagens flutuantes que não foram usados direito e só encheram linguiça no final das contas, é sempre bom ter em mente que os personagens que ganham nomes em uma história são aqueles que são relevantes para história, assim eles servem para amarrar a história da coesão em seu final e não frustrar os mais atentos.

Dica2 - Seja Simples Não Simplório


Não desenvolva várias linhas ao mesmo tempo na história se você não tem condições de lidar com elas de maneira atenciosa, pois as coisas desandarão é melhor se concentrar em uma linha principal e enxerta-la com situações interessantes, mas que não fujam do que foi premeditado no princípio. Tal atitude ajuda muito a ter sob controle todas as cordas que movimentam a trama fazendo com que elas converjam a um lugar central.

Dica 3 - Crie o Clima e Entregue o Final Esperado

Com toda sua criatividade pense no climax, com sua perspicácia observe aquilo que é esperado pelos seus jogadores e aquilo que eles não esperam, mas se surpreenderiam positivamente, de posse dessas informações observe as pontas que ainda estão soltas e crie com elas uma malha de caminhos que levem ao final prazeroso que todos esperam. Infelizmente não existe uma fórmula mágica para tal proeza. Entretanto o conhecimento do grupo de jogadores, do background dos personagens já é um bom começo, o importante neste caso é dar a sensação de dever cumprido e de realização metas que os personagens ambicionavam.

Concluindo...

Uma trama de histórias é como uma música ou uma roupa, ela precisa ser tecida e composta de maneira plena, precisamos ter sensação de que houve um final mesmo que este final seja provisório.
No RPG não poderia ser diferente, cada aventura tem que ser concluida de maneira que propicie aqueles que participam dela uma sensação de prazer e concretude e não um vazio, uma sensação de tempo perdido, concluindo é necessário que aventuras tenham um ponto final e não sejam como no livro do Poe concluidas com uma brusca reticências.


Abraços e até o próximo post