sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Contos de Sexta: Terror no Museu Morgan

Olá senhores e senhoras! Hoje teremos mais uma estréia aqui no blog, hoje estamos abrindo a coluna contos de sexta e como nesta sexta temos uma sexta treze apresentamos um conto de terror, espero que gostem e claro não esqueçam de comentar, até breve e boa leitura.

Terror no Museu Morgan

Chovia forte e os relâmpagos cortavam o céu, rasgando com sua luz a densa malha de nublada escuridão, formada pelas cores soturnas que inundavam a noite. Eu estava no meu trabalho, mais precisamente na segunda ronda da madrugada, caminhando pelos largos e sombrios corredores do Museu Morgan, um museu especializado em achados arqueológicos de civilizações selvagens, que viveram em um passado longínquo.
Naquela época, eu era apenas um vigilante, não tinha estudos refinados, por isso todos desenhos; e as figuras  esculpidas em barro e rocha, não passavam de grandes besteiras, coisas idiotas, que tomavam tempo de mais de homens inteligentes, estudiosos que ansiavam por alguma descoberta.
Mal sabia eu, que naquela noite toda minha percepção mudaria, graças a uma revelação, que atormenta meus dias sonolentos e minhas noites insones até hoje. A partir daquela maldita noite, eu compreenderia que a ignorância é uma benção, enquanto a sabedoria é uma porta para a loucura.
Tudo ocorreu a meia-noite da sexta feira 13 de janeiro, quando estava na penúltima sessão do museu; a qual guardava os ídolos esculpidos pelos selvagens das ilhas do pacífico. Para mim de todas as salas, aquela era a mais repugnante, nela não havia mais nada além das estatuas; no entanto,  tais símbolos de idolatria infame eram horrendos, dotando o recinto de uma atmosfera sinistra e sufocante, que eu jamais saberia explicar.
Por um único momento eu exitei adentrar o local, pois me senti estranhamente acuado como um animal ou um menino; entretanto, me deixei levar por meu dever e na sala das estátuas pisei, dizendo para mim mesmo que elas eram feitas de barro e pedra, que não havia ali perigo.
Com a selvageria da tempestade e o som quase diabólico dos trovões, o local parecia ainda mais estranho e amedrontador. Lembro-me, que antes de ocorrer o terrível momento, as minhas mãos tremiam, deixando a chama da minha lanterna tremular; na sexta maldita estávamos sem energia elétrica, pois a furiosa tempestade havia interrompido a sua transmissão. A única luz era provinda do fogo, esta que viria a ser posteriormente minha salvação.
Quando minha ronda na infame sala estava por se encerrar, um relâmpago estranho iluminou as janelas, com ele um som terrível ecoou, um som abissal e alheio a toda a sonoridade natural desse mundo. O clarão bizarro e o som infernal revelaram o horror que me circundava; ídolos de diversos tamanhos me fitavam, com seus macabros olhos sem vida seguiam cada movimento meu.
As estátuas estavam imóveis; e ao mesmo tempo pareciam me tocar, meu corpo sentia o úmido e demoníaco toque através de arrepios constantes, eram  garras, línguas e sabe-se mais o quê. Contudo, mesmo sofrendo tamanhos abusos, os meus olhos nada podiam ver, além dos inominados ídolos fantasmagóricos e imóveis em suas posições.
Em meio ao meu terror, uma música começou a tocar dentro da minha mente, era uma canção de vozes abafadas e inumanas, pronunciadoras de palavras estranhas incompreensíveis para qualquer ser humano que as ouvisse.
Amedrontado ordenei ao meu corpo que caminhasse; mas, minhas pernas estavam de alguma forma presas, agarradas pelos membros invisíveis dos demônios residentes das blasfemas estátuas.
A música ficava cada vez mais alta, minha consciência se esfarelava; e eu já não escutava a tempestade, a própria sala, outrora nítida aos meus olhos, desaparecia engolfada por uma escuridão imunda, úmida e salobra. Dentro da minha mente, os ídolos giravam como um pião acelerado, revelando-me uma sabedoria milenar, sideral e macabra, fazendo-me viver pesadelos caóticos, que roubaram meus sentidos numa transcendentalidade que não ouzo descrever.
Quando sentia o último resquício da minha alma ser absorvida, minha mente ser escravizada e o meu corpo consumido, eu escutei um agudo e agoniante grito. A macabra música silenciava-se em agonia; e as trevas da minha visão se encolheram em forma de tentáculos bruxuleantes.Eu não sabia o que havia ocorrido, até perceber a minha lanterna no chão e as chamas consumindo o óleo esparramado no piso.
Desse momento em diante não tenho muito o que falar, a terrível experiência levou-me a horríveis delírios, os quais guardo sofrivelmente apenas comigo; mas falarei que mesmo em minha crise nervosa, eu fui capaz de entender o que aparentemente levou ao fim a investida daqueles ídolos sobre mim.
De alguma forma, que não me recordo direito, eu coloquei o prédio; um grande e velho edifício colonial, para queimar. O fogo não demorou para consumir todo o lugar, enquanto as labaredas dominavam a estrutura do velho prédio, eu podia ouvir na minha mente os sinistros e alienígenas gritos de agonia.
Quando amanheceu havia apenas cinzas e restos queimados de relíquias, como todos sabem, eu fui chamado de louco e condenado a passar o fim da minha vida miserável ao lado de delinquentes e debeis mentais; contudo, eu sei o que vi, tenho consciência que não sou louco, mas um iluminado, um profeta que vislumbrou as adormecidas criaturas das trevas, aquelas que trarão ao acordar o fim da nossa frágil raça.