quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Morto Vivo

Pessoal, estou aqui rapidinho para compartilhar uma pequena poesia que fiz para meu futuro livro, espero que gostem!























Morto Vivo

Sai da sepultura a mão pútrida
O corpo sem alma fulgura

No tardar da sombria noite
Tomada pela macabra fome

Sem vida continua vivo
decompondo-se e consumindo
Sem sentimento dentro do íntimo
Preencher o feroz vazio é o ímpeto

Não tarda e na penumbra se levanta
Se escuta ao longe o urro da podre garganta
Vem a passos lentos para devorar
A viva carne que venha encontrar

Morto vivo, teu hálito é a fedentina da carniça
Teu ventre aberto demonstra as pútridas tripas
Tua boca o sofrimento e a dor alheia
O beijo cadavérico da úmida treva

és o arauto da fome do túmulo
Das sombras o ser mais imundo
Pois em tua carne vivem os vermes
Na tua pele decomposta a pior das pestes

Sai do sepulcro, oh tenebrosa criatura
Na carne viva desejas cravar as unhas
Tua língua se excita com o sabor das vidas
Enquanto apodreces nestas noites sombrias