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O Réquiem da Fortaleza e As Lágrimas do Cavaleiro. Parte 1

Olá queridos leitores hoje trago a primeira parte de um conto que estou escrevendo espero que gostem e não esqueçam de comentar!


A dor tocava o corpo molhado. O céu negro derramava rudemente gotas de água que mais pareciam minúsculas flechas. O desgaste estava esculpido nos firmamentos da alma e na carne de Argion, mais dos centenas de nobres guerreiros defensores da grande Fortaleza.
Os gritos alertavan. Os homens deveriam recuar, deveriam abandonar seus postos. Argion ouvia as ordens e com elas os trovões, formando algo semelhante a voz dos deuses destruindo o mundo." Aquela era a grande muralha" pensava Argion. "Nada poderia leva-la ao chão!"Nada a não ser a mágica poderosa, provinda  da astúcia de uma mente ardilosa e maléfica.

Argion olhou as invencíveis muralhas caídas, lembrando que na noite anterior havia brindado o triunfo com seus companheiros, agora mortos. Seus coração como o de outros que o cercavam vislumbrava a derrota e a morte eminente. O esplendor do grande baluarte estava ruindo, as muralhas derrubadas eram o sinal da decadência propiciada pelo fogo negro do inimigo.

Lágrimas percorreram seus olhos por um momento, um medo infantil tentava dominar seu espírito maduro, enquanto seus passos levavam-no pela Torre de Vigia ao Reduto do Rei, uma construção alta de onde podia-se ver o mar, um belo sepulcro para os mártires da grande batalha.
Sem cessar Argion abria caminho, sangue, suor e gritos de dor se misturavam ao som de sua espada abrindo feridas nos inimigos, trespassando suas  armaduras. Amigos mortos e feridos ficavam para trás, não havia como levá-los para serem enterrados ou curados, era a guerra, não havia tempo para compaixão, não havia como salvar-se e salvar um outro.
A porta foi bloqueada, não havia como niguém mais entrar no Reduto do Rei, Argion foi o ultimo, com ele estavam um general e mais cinquenta homens, todos estavam cansados, pesarosos, humilhados e derrotados. Sitiados pelas tropas adversárias, a esperança morria a cada hora que passava.
O general preparou-se apertando sua arma com o punho e respirando fundo," um ultimo suspiro de um guerreiro" pensou Argion que  seguindo a atitude do general pegou em sua arma e aguardou junto de seus companheiros, a porta havia resistido por muitas horas, mas agora estava cedendo.
Quando ela caiu fazendo um grande barulho ao tocar o chão, um grupo de bárbaros adversários adentrou no Reduto do Rei. A chuva havia parado e o calor que se formou trouxe o cheiro da morte com ele, o palco do ultimo combate estava erguido, o derradeiro momento enfim iria começar.

Continua...