Mostrando postagens com marcador Entrevistas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Entrevistas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Entrevista com Tio Nitro Sobre a Trilogia Legião e Dicas de como Escrever Literatura Fantástica.



Olá pessoal! Hoje trago com orgulho mais uma entrevista que fiz com o Tio Nitro, dessa vez, não falaremos de dicas de RPG, mas de um dos lançamentos mais aguardados da RedBox, a Trilogia Legião. Além disso, o Tio Nitro conta como é seu processo criador e ainda deixa umas ótimas dicas, para quem , assim como eu, escreve literatura fantástica.
Como a entrevista ficou enorme, resolvi colocá-la para download em um arquivo simples de pdf, então, para conferir as grandes dicas e sábias palavras de um dos maiores nomes do RPG nacional, é só baixar pelo link abaixo: 


terça-feira, 12 de março de 2013

Batendo um Papo: Entrevista com Rafael Oliveira do Pernambuco Nerd parte 2




 Olá pessoal! Como prometido aqui está continuação do bate papo com o Rafael, espero que vocês gostem!


6.    Falando um pouco mais sobre eventos, você poderia contar um pouco sobre suas experiências como organizador? Momentos bons e ruins.

Caramba... Momentos ruins são aqueles que a equipe dá bobeira. Quando a gente sabe que poderia ter feito melhor e não fez. Seja lá qual for a razão quando isso acontece, torna o resultado inferior ou até prejudicial para a equipe e para o público. Já tivemos também a confiança depositada em pessoas que jurávamos ser amigos, que além de não corresponderem ao trabalho que eles mesmos se comprometeram a realizar, alguns chegaram a estar dentro de um evento e abandonar o posto para “curtir o evento” como uma forma gratuita de ter acesso. Claro que isso não é novidade e 100% dos eventos que hoje existem, possuem ao menos um staff que entrou lá com este pensamento.

As coisas boas que acontecem, lógico, quando as coisas dão certo, mesmo aqueles que vestiram a camisa para não fazer nada e curtir o evento, estarão enchendo a boca para dizer: - Viu como o “nosso” trabalho foi maravilhoso?

Eventos são uma caixinha de surpresa e o sucesso muitas vezes não depende somente do esforço realizado pela organização. Já presenciei um show de Ivete Sangalo e Jeniffer Lopes que tinha tudo para bombar tomar o maior prejuízo por conta da chuva, assim como já vi equipes que se opõe ao seu trabalho (mesmo tendo a oportunidade de somar) boicotando você e as cortesias profissionais, além das políticas de boa vizinhança, serem deixadas de lado e levadas para o pessoal.

Acredite se quiser, já passamos por situações de alguém chegar para a gente dizendo que estava passando mal, só para ir embora mais cedo em um evento que precisava de toda ajuda possível e depois mandar uma mensagem in-box dizendo que não ficava feliz em ter abandonado um amigo. Pessoal, mentiras tem pernas curtas e em um evento, o que não vai faltar são pessoas para ver algo errado e rapidamente informar a organização. Se existe uma coisa muito positiva é a união e a consciência do público que em geral é 10!

Quer ver as pessoas lhe olhando estranho e querendo fechar as portas para você? A fórmula é simples: - Basta você criar algo que possa fazer a diferença em algum nível e não se submeter a vontade dos outros. Basta alguém não entender a proposta e já estará falando mal dela, assim como basta alguém simplesmente não gostar de ser cobrado, que vai sair falando de você até onde tiver acesso, mas a mesma pessoa não se tocou que estava exatamente no lugar onde as cobranças serão uma consequência de sua presença.

No mundo da produção, não existe o barato e o caro, o bom e o ruim, o que existe é o que funciona e os acertos que são feitos. A pergunta que eu faço para todos que acham que produção é divertido é: - Se não aguenta pressão, o que está fazendo aqui?

Quando você oferece algo que o público quer, ele vai curtir, mas quando você oferece algo melhor, dificilmente ele vai querer voltar atrás, mas vai exigir de outros que o ritmo seja acompanhado.

O mundo da produção é gratificante, gera reconhecimento (seja positivo ou negativo, só depende de você) e de vez em quando aparecem até umas entrevistas! Aehauhauheuh

O Pernambucano é megalomaníaco e ele sempre vai querer algo grande para participar. Mesmo que ele saia reclamando depois, não é difícil perceber que ano que vem ele estará lá novamente, mesmo que seja para sair reclamando. Os bons eventos são aqueles que o público elogia no final e termina com o gosto de quero mais!

Mas no fim, você tem que lembrar que tem uma obrigação com o seu público e para isso tem que lembrar também da principal premissa: QUEM PRODUZ, NÃO SE DIVERTE! No máximo, gosta do que está fazendo.

7.    E quais são as dicas para pessoas que querem organizar um encontro ou um evento pequeno de cultura NERD?

Vá fundo! Esqueça comentários negativos do tipo, você não vai conseguir, isso vai ser uma merda, você não sabe fazer isso etc. Um evento, um encontro e até mesmo uma pequenas confraternização, não passa de um local em condições de receber as pessoas com atividades, segurança e um conforto mínimo para os mesmos. Os diferenciais vêm de sua criatividade e os exemplos estão as pampas espalhados por aí. O que nós recomendamos é: Seja inovador, pense diferente, mas seja como for, faça para o público e não para si, pois caso esteja pensando em benefício próprio, não esqueça, seu evento pode até funcionar, mas tem uma grande possibilidade de ser mais um campeão de reclamações.

Ah sim! Já ia me esquecendo! Pode contar com o nosso apoio! Pois o PernambucoNERD.com e a Aliança de Cultura POP estão aqui para dar apoio principalmente a você que está iniciando. Como já se diz por aí, pequenas empresas grandes negócios. E caso o seu primeiro evento não dê certo, revise tudo o que errou e tente novamente corrigindo as falhas reportadas e percebidas. O segredo da dança da chuva, é que os índios nunca param de dançar até a chuva chegar.


8.     Muito obrigado Rafael, você poderia deixar um recado para os leitores do Falando de RPG.

Faço até melhor! Sou Roleplayer, escrevo um livro que a 18 anos não consigo terminar. Auauheauheauhe. O sistema está quase pronto e vou testar um mini Live Action com ele no Dia Mundial do RPG. Mas enfim, grande parte de quem sou hoje no mundo NERD e isso inclui as minhas amizades e até mesmo parceiros e aliados, minha esposa e minha filha que também são Roleplayers. Falamos de RPG o tempo todo e acredito que a interação social, a necessidade de pesquisar cada vez mais e inclusive a narrativa (sempre sou o narrador) me ajudaram muito a perder a timidez perante o público a falar de forma despojada, gerando boas experiências sociais.

O RPG, nos forneceu:

Narrativa +1
Sonoplastia +1
Criatividade +1 (+2 para os narradores auheuaheuh).
Pesquisa +1
Raciocínio +1
Roteiro +1
Linguística +1 a +4 (dependendo dos livros importados que você tentou ler e de onde eles são).
Desenho +1 (alguns casos)

É divertido, barato (ou de graça) e todos se divertem. Basta lembrar sempre o principal motivo de estarmos juntos, a diversão.
O restante veio com muito estudo de tecnologia, redes, conectividade, segurança etc...

Gary Gaygax criador do D&D faleceu com bastante XP (já estava velhinho) ainda realizando jogos nos finais de semana em sua casa. Que este velhinho sorridente seja um exemplo e que a sua memória seja honrada com músicas que serão cantadas por gerações.  Aliança de Cultura POP comemora o Dia Mundial do RPG no dia 04 de Março, mas ainda teremos outras iniciativas voltadas ao RPG ao longo do ano! Fiquem ligados!

OBS: O evento em si ocorreu durante os dias 02, 03 e 04 em Pernambuco. Mais informações:


Um grande abraço para todos e não esqueçam, tudo na vida é um constante XP sendo acumulado, cabe a você investir este XP nas coisas que realmente lhe importam.

Me tornei um ativista que quero viver em uma realidade que hoje chamam de utopia ou ao menos, gerar mais condições para que os nossos filhos e netos possam chegar lá.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Batendo um Papo: Entrevista com Rafael Oliveira do Pernambuco Nerd Parte 1






Olá pessoas! Hoje estamos trazendo a primeira parte de uma entrevista com um cara que ajuda a ferver a cultura NERD em Pernambuco, trata-se de Rafael Oliveira, um blogueiro, podcaster e promotor de eventos NERDS daqui do Recife (principal organizador do DIA DO ORGULHO NERD). Ele falará um pouco sobre eventos, sobre a cena recifense e pernambucana e muito mais. Então, sem mais delongas, vamos a entrevista.

1- Olá Rafael, antes de tudo, você poderia se apresentar?
Meu nome é Rafael Oliveira e sou empreendedor (CEO da Cênica e do Estúdio Udigrudi), consultor de T.I.(Certificações Microsoft e D-Link) e produtor cultural (1997 – 2002 e 2007 - 2013).
2.    Bem, você é o responsável pelo site Pernambuco NERD, então, como surgiu a ideia de criá-lo?
Nós escutávamos vários podcasts, acompanhávamos notícias em diversos sites de tecnologia, entretenimento e muito mais, porém, percebemos que não havia um foco em falar sobre a diversidade de coisas que existem em nosso estado e que quando são faladas, não se menciona o seu local de origem (na maioria dos casos). Pernambuco é um dos estados com maior capacidade para gerar conteúdo do Brasil. Veja hoje como são as coisas, nós temos o campeão nacional de Hero Clix, um participante da Imagine Cup que já venceu duas vezes, empreendimentos gigantescos nos setores de tecnologia como o CESAR e o Porto Digital, eventos internacionais a cada dia mais presentes e uma vasta gama de fãs da cultura POP que procuram atividades que compreendam seus gostos e hobbies. O caminho lógico foi criar um Blog para passar estas notícias e de uma forma despojada, também oferecer um PODCAST que passou a receber pessoas, incluindo personalidades de Pernambuco e até mesmo de fora para debater assunto variados e mostrar o que temos de melhor. Já falamos sobre Chico Science, recebemos os renomados Lailson de Holanda e Watson Portela, juntamente com o seu filho, Rafael Portela entre muitos outros. Por fim, nós estávamos falando de Pernambuco para o mundo e do mundo para Pernambuco.
3.    Indiscutivelmente, o site Pernambuco NERD construiu seu público e se tornou uma referência, qual o seu conselho para quem está começando um site ou blog?
Não tenha limitações. Acredite, mas acima de tudo na sua ideia e vá lapidando aos poucos. Se você é de Pernambuco, deixe o “pernambuquismo” de lado. Por maior que seja o nosso potencial, o pernambucano costuma sair muito do foco de suas propostas ao invés de expandir os horizontes da mesma e principalmente quando as dificuldades aparecem. Eu mesmo sou chato pra caramba, já entrou e saiu gente do PernambucoNERD.com, quero muito bem a todos, mas por mais de uma vez, eu fiquei sozinho ou vendo pessoas entrarem no projeto para simplesmente dizer que fazia parte. Infelizmente, quem estava afim de “fazer parte” não aguentou a pressão e simplesmente saiu. Não é fácil, mas é gratificante. Vai haver o dia em que você estará cansado, sem tempo e principalmente sem ideias para alimentar o seu blog, mesmo assim, você deve fazê-lo. Lembre-se que ao abrir um ponto onde o conteúdo é a informação, você terá muitas pessoas visitando e prestigiando o seu conteúdo, logo, torna-se necessário ter o devido respeito com o público que se obtém com o passar do tempo. A verdade é que ao abrir um blog, por menos compromissado que ele seja, hoje é uma forma de empreendimento, você estará criando uma marca e terá uma reputação a zelar. Não vou mentir que neste exato momento, estamos resolvendo muitas das complicações acima, nós devemos isso a vocês, pois o PernambucoNERD.com é feito de fã para fã. Nós acreditamos em vocês, logo, quem quiser bater um papo conosco fique a vontade, pois recebemos a todos e não fazemos distinção, além de que, se possível, faremos ainda este ano um evento voltado a construção de blogs e conteúdos e também a gravação de PODCASTS, um mini simpósio de mídias sociais.
4.    Quem acompanha o cenário NERD de Recife percebeu que de uns dois anos para cá os eventos tem se multiplicado. Para você, quais são os principais motivos desse “boom” e qual é o papel do Pernambuco NERD nessa história?
Bem... Sem querer puxar a sardinha para o nosso lado, sei que sou o principal suspeito para falar o que tenho a dizer. Mas você percebeu a coincidência de “mudança de atitude” de vários eventos que antes eram focados em “Cultura POP Japonesa” e que hoje todos eles são de “Cultura POP Global”. O primeiro evento que fizemos foi um tímido Dia da Toalha / Dia do Orgulho NERD na Livraria Saraiva do Shopping Recife e neste caso, vários renomes estavam lá. Grupos como o Conselho Jedi de Pernambuco que estava se formando, a recém lançada Loja Pernambuco do Conselho SteamPunk, o próprio desenhista do LEDD HQ Lobo Borges que nem tinha lançado o seu trabalho já estava conosco fazendo um “preview” de LEDD entre muitos outros como o conhecido LARPE que sempre está nos eventos. Uma pequena reunião que mostrou que o NERD foi lembrado. Esperávamos umas 30 – 60 pessoas no máximo e no fim, tivemos um rotativo de 120 visitantes em um auditório que caberiam apenas setenta e poucos. Daí para frente, fica a deixa de você que está nos lendo, verificar historicamente o que aconteceu e eu garanto que várias peculiaridades serão notadas. O fato que não deve ser confundido é simples. Não estamos dando exemplo de como as coisas devem ser feitas ou as pessoas estão nos copiando, o fato é outro, nós abrimos um precedente que mostrava claramente que vários outros universos estavam sendo esquecidos em nome daqueles que estavam trazendo resultado. Notoriamente, hoje muitos não sabem sequer quem é Darth Vader ou o Sr. Spok. Tudo tem uma fase e uma febre, mas no mundo NERD ou Geek como preferir, nós compreendemos variantes e vertentes não como modas, mas como tradições e gostos que se tornam tendências e até mesmo empreendimentos.


5.    Um ano atrás, se não estou enganado, o Pernambuco NERD e outros grupos de cultura NERD formaram  a Aliança NERD de Pernambuco, pois bem, qual é o objetivo da aliança? E como entrar em contato com ela para a obtenção de apoio ou participação em eventos fora da capital?

A Aliança de Cultura POP foi uma ideia minha. No primeiro Dia da Toalha / Dia do Orgulho NERD de 2011, eu fiz uma brincadeira que nas entrelinhas iria ser reprisada. Tratava-se de um vídeo do Tony Stark, uma re-dublagem (eu curto fazer essas brincadeiras quando tenho tempo), que dizia que no próximo ano, os mais brilhantes nerds iriam se reunir para formar realizações cada vez mais consistentes e elevar o jogo para o próximo nível. Pois bem. Uma vez que todos se preocuparam (não apenas os ativos da Aliança) em elevar o jogo para o próximo nível, eu me dou por satisfeito. Em Pernambuco, não existe uma concorrência no mundo da cultura pop, o que existe é o que está em todos os setores, um puxando o pé do outro para não permitir o crescimento. Na Aliança entendemos a coisa de forma diferente, somos um somando com o outro para gerar resultados. Alguns acertos, outras falhas, mas nem tudo é perfeição e ainda estamos aprendendo muito uns com os outros e organizando a casa.

A Liga Cosplay hoje é um exemplo dos trabalhos internos da Aliança, nós nos reunimos com frequência e debatemos o que pode ser feito para melhorar os alicerces, atender ao público alvo, difundir a cultura e principalmente gerar oportunidades e reconhecimento. Já percebeu que reconhecimento é algo cada vez mais raro em qualquer setor? Tivemos a Petra Leão (Ação Magazine e Turma da Mônica Jovem) conosco no dia do Lançamento que foi no Festival Kanzen de 2012, juntamente com a família da falecida Amanda Figueiredo que nos deu a sua benção e uma equipe de 10 ativos para fazer um pequenos concurso de cosplay. Petra, mora e trabalha em São Paulo e ela está acostumada a participar do WCS que é o mundial do Cosplay e ela, presenciando nossa organização para o evento disse: - Nossa, nem o WCS trabalha da forma que vocês estão querendo fazer. Nós lançamos um “Óscar dos Cosplayers” que é o Liga Cosplay Contest (LCC) que não oferece prêmios mirabolantes, apenas uma estatueta carinhosamente batizada como Troféu Amanda Figueiredo pelo Ary Santa Cruz do Mistiras e o reconhecimento ao mérito em um evento voltado aos Cosplayers e também focado em categorias que antes não eram aplicáveis ou reconhecidas como o Cospobre, o Toscosplay e até mesmo o personagem autoral. Durante o ano, nós dividimos as seletivas dando a oportunidade a vários eventos de ter uma etapa e os mesmos foram referenciados em um calendário que foi amplamente distribuído recentemente.

Hoje, a Liga Cosplay ainda possui vagas para as suas seletivas e ainda podemos suportar uma quantidade de eventos, bastando nos contatar para combinar como será a participação. Para eventos de fora (sim já temos três eventos ainda em PE, dois em Caruaru que são o MadCon e o Universo NOGG e em Itambé o AnimOkey!), pedimos apenas o básico mínimo como suporte e nós levamos nossos computadores, equipe e tudo mais, precisando apenas do básico que é a utilização do palco e controle das projeções com nossos equipamentos durante a seletiva da LCC.

As finais serão sempre realizadas no mês de Janeiro entre o primeiro e o segundo final de semana.

Já com outros grupos como o Malk´RPG e a PADA, basta convocar oferecendo as condições mínimas de suporte e nós levaremos as mesas de RPG, oficinas de desenho, palestras e muitas outras atividades.

Em fim, não existem complicações, conosco estamos abertos para participar e divulgar. A Aliança de Cultura POP veio para somar, embora nem todo mundo esteja vendo isso. Vai entender...

Vão sempre existir dois tipos de eventos para o público, aqueles que vão gerar responsabilidade social, como o Dia da Toalha / Dia do Orgulho NERD ou o Dia Mundial do RPG, porém, o mais importante será um evento pago, pois este é o tipo de evento no qual não iremos lucrar nada além da base necessária para custear outros eventos para o próprio público e manter a Aliança de Cultura POP. O destino do dinheiro arrecadado será para o próprio público, pois entre eles existem empreendedores que jamais teriam chances com as leis de incentivo tradicionais. A Aliança é mais de que um bando de produtores que gostam de fazer eventos. Trata-se também de um monte de empreendedores que querem ver o trabalho de vocês sendo publicado, ganhando visibilidade e se tornando uma realidade, ajudando a estabelecer um mercado no Brasil, assim como os EUA e o Japão fizeram. Sejam honestos, quantos de vocês que estão nos lendo sonham com a oportunidade de publicar o seu material, desenvolver o seu jogo ou gravar um CD de sua banda? Quando você for a um evento pago promovido pela Aliança de Cultura POP, saiba que você estará ajudando as pessoas a realizarem seus sonhos, ajudando em campanhas de cidadania e desenvolvimento social, mas principalmente ajudando Pernambuco a se destacar no empreendedorismo dos valores culturais admirados por fãs de todos os lugares. Queremos um polo de Cinema aqui, assim como um estúdio de dublagem e muitos outros negócios, então lembre-se, que acima de tudo a Aliança está aqui para ser parceira.

A Aliança de Cultura POP não se trata de mim, ou de vocês, mas do que iremos deixar para a próxima geração.

Brevemente a continuação.

quarta-feira, 6 de março de 2013

De Mestre para Mestre: Dicas para os Mestres com Franciolli Araújo do Forja RPG

Olá pessoal! Estamos de volta com as entrevistas, pois nós estamos na temporada das entrevistas aqui no Falando de RPG. Hoje, nós traremos algumas dicas de mestre com um cara muito boa praça, o Franciolli Araújo do Forja RPG. Então, sem mais delongas, vamos as suas palavras.




1- O QUE É FUNDAMENTAL PARA ESTABELECER UMA BOA CAMPANHA?

Eu acho que uma boa campanha precisa ser desenvolvida a partir de uma base comum criada pelos jogadores e o mestre do jogo. Quando fica a cargo do mestre criar tudo sozinho, a campanha pode até ficar boa, mas quando os jogadores ajudam a construí-la, eles sentem-se mais impelidos a contribuir para o seu andamento e manter a atenção dos jogadores voltada para o universo ficcional eu considero fundamental.

2- QUAL É SEU MÉTODO PARA EVITAR INCOERÊNCIAS DURANTE O DESENVOLVIMENTO DA HISTORIA DAS AVENTURAS?

Hoje em dia eu costumo fazer reportes das sessões, seja em um blog (confira alguns no ForjaRPG), seja escrevendo-o em velhos pergaminhos, mas eu sempre fui muito bom em lembrar-me dos detalhes de uma sessão. Hoje seria capaz de continuar facilmente duas campanhas que terminaram a 7 anos e 2 anos sem nenhum problema, mesmo sem registros, mas aconselho fortemente a criação de reportes, seja na forma de uma wiki ou qualquer outro tipo de registro.

3- EM RELAÇÃO AO ENVOLVIMENTO DOS PERSONAGENS COM A TRAMA, QUAIS SÃO OS SEUS MACETES PARA INSERI-LOS CADA VEZ MAIS NA HISTÓRIA?

A campanha/aventura precisa ter elementos que realmente façam com que os personagens se interessem, senão eles não se importarão muito com a história sendo contada. Quanto mais eles sentirem que a história é sobre os seus feitos, que eles estão REALMENTE ajudando no desenvolvimento de uma história, mais eles se sentirão atraídos para a luz.

Faça com que eles sintam que seus personagens fazem a diferença e eles imergirão facilmente no jogo.

4- VOCÊ UTILIZA DE NARRAÇÃO COMPARTILHADA? SE SIM , ESTA FERRAMENTA TRAZ AO SEU JOGO MAIOR PARTICIPAÇÃO E INTEGRAÇÃO DOS JOGADORES?

Eu gosto de narrativa compartilhada, mas nem todos os jogadores sentem-se confortáveis com isso (por incrível que possa parecer) e estou aprendendo a lidar com isso. Então, nem sempre a narrativa compartilhada é uma solução para garantir maior participação dos jogadores, a menos que todos desejem esta ferramenta narrativa em sua mesa, procure outra solução para integrar os jogadores.

5- AO PERCEBER UMA POSSÍVEL FALTA MOTIVAÇÃO POR PARTE DOS JOGADORES QUE ELEMENTOS VOCÊ USA OU JÁ USOU DENTRO DA NARRAÇÃO PARA DESPERTAR O INTERESSE?

O melhor elemento para corrigir falta de motivação em uma mesa de jogo é perguntar aos jogadores o que está acontecendo. Diálogo. É sentar e discutir a relação.

6- COMO VOCÊ ENCARA O USO DE ACESSÓRIOS (MAPAS, GRIDS, OBJETOS..) NAS SESSÕES DE RPG?

Acho bem normais e uso estes recursos desde quando comecei a jogar o D&D da caixa vermelha. Algumas pessoas se esquecem, mas o RPG começou assim. Os grids ajudam muito em RPGs com sistemas definidos de turnos (como a maioria deles), mas não são aconselhadas em RPGs como o Dungeon World por exemplo, que tem sua ação focada na ficção e não em regras.

7- A ORGANIZAÇÃO DURANTE UM JOGO DE RPG É EXTREMAMENTE NECESSARIA, POR ISSO FALE ALGUMAS DICAS DE COMO VOCE ORGANIZA OS MATERIAIS DE SEU JOGO (FICHAS DE PDMS, ANOTAÇÕES DOS PDJS...)

Alguns RPGs requerem que o mestre dedique uma grande quantidade de tempo preparando a aventura. Hoje em dia eu preparo, mas muito menos do que a alguns anos atrás. Talvez seja fruto da experiência ou da pura falta de saco de debruçar-me diante de um gerador de fichas e criar um monte de coisa que pode acabar nem sendo usado.

Como já li muitas vezes em muitos bons artigos, os jogadores sempre vão fazer coisas inesperadas que transformarão toda a sua preciosa preparação em lixo. Isso é normal, já me frustrei muito com isso e hoje preparo menos.

Se os personagens estão andando por um determinado local e encontram alguma coisa eu simplesmente corro no livro dos monstros e uso as estatísticas ali. Só costumo preparar a primeira aventura, o resto vai se desenrolando na base do improviso lógico.

8- AINDA EM RELAÇÃO A CONSTRUÇÃO DE AVENTURAS E CAMPANHAS, VOCÊ GERALMENTE OBEDECE UMA ESTRUTURA MUITO PLANEJADA OU PREFERE IMPROVISAR? JUSTIFIQUE SUA RESPOSTA E EXPLANE EM POUCAS PALAVRAS SEU MÉTODO.

Como eu disse anteriormente, só planejo a primeira aventura. Todo o resto fica em sandbox para os jogadores. Eles fazem o que quiserem, onde quiserem.

Em relação a estruturação da campanha/aventura, a menos que deseje narrar uma aventura na qual os jogadores serão guiados pelo mestre, planeje apenas plots gerais e deixe as coisas acontecerem. Quando mais flexibilidade melhor, mas lembre-se sempre que para toda ação existe uma reação.

Seja coerente com as ações dos personagens e suas consequências e você terá uma boa estrutura para campanha/aventura.

9- PARA VOCÊ O QUE É SER MESTRE E O QUE TORNA BOM?

Ser capaz sentar-se em uma mesa (mais habitual) com um grupo de amigos (ou completos desconhecidos) e contar uma história na qual TODOS se divirtam. Conhecer as regras do jogo que está jogando é imprescindível, mas não para o mestre do jogo. Se alguém entre os jogadores (pressupondo que todos são honestos) conhecer as regras, o mestre pode contar a história e alguém encarregar-se do sistema. Já vi este casamento funcionar muito bem.

A diversão é o objetivo final, sempre!

10 DEIXE UM RECADO PARA OS LEITORES DO BLOG FALANDO DE RPG

Jogar RPG é um exercício social muito prazeroso e que recomendo a todas as pessoas em todas as faixas etárias. Brincar de faz de conta embasado por regras é fantástico e estimula o gosto pela leitura e já ajudou muita gente a motivar-se a aprender outros idiomas.

O jogo é uma excelente forma de fazer amizades e compartilhar momentos emocionantes, cheios de aventura, vitórias e glórias (desventuras, derrotas e inglórias também), mas tudo isso no conforto de nossos lares (ou locais de convenções), ou junta-se a grupos que vem contando as fantásticas histórias através de vídeo conferências.

Aproveitando para fazer um jabá, leiam o ForjaRPG (www.forjarpg.net) onde falamos MUITO sobre RPGs.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Para se Ligar: Entrevista com Diogo Nogueira do Pontos de Experiência sobre o RPG Bruxos & Bárbaros


Olá pessoal! Depois de um intervalo longo estamos de volta. Abrindo hoje a temporada de entrevistas do blog com o nosso companheiro de blogsfera Diogo Nogueira do Pontos de Experiência. Ele falará um pouco para nós sobre a construção do seu jogo Bruxos e Bárbaros, dando algumas dicas para quem está pensando em criar um jogo e discutindo um pouco das especificidades da sua criação. Então sem mais delongas vamos as suas palavras! E esperem por mais novidades, se o último período da faculdade deixar!







1- Primeiramente você pode se apresentar e falar brevemente sobre sua história com o RPG?
R: Bem, meu nome é Diogo Nogueira (não, eu não sou o sambista), autor do blog Pontos de Experiência, que fala um pouco sobre RPG em geral (mas acaba falando bastante de RPG de Fantasia Old School, já que eu gosto bastante desse gênero), e recentemente estou me envolvendo com o mercado de RPG mesmo, fazendo cartografia para aventuras e escrevendo um RPG. Como comecei com o RPG? Eu não sei se conta, mas lá pela terceira série eu conheci aqueles livros jogos das Aventuras Fantásticas e viciei naquilo, era muito legal poder decidir como a história seguiria. Então, por volta de 1995 um vizinho meu me apresentou Tagmar, algo ainda com muito mais possibilidades do que os livros jogos, eu fiquei louco. Daí fui para o D&D da caixa da grow e não parei mais. Joguei um pouco de quase tudo, D&D, GURPS, Storyteller, Tagmar, Desafio dos Bandeirantes, 3D&T, Era do Caos, D&D 3.X, D&D 4e, e agora me envolvi pelos jogos Indies, com seus temas específicos e mecânicas narrativas e o D&D da Escola Velha.

2- Então como rolou a ideia de criar um RPG?
R: Acho que a ideia surgiu pela vontade de ter um jogo mais com a nossa cara, com as coisas que a gente gosta em outros jogos misturados em um só. Além disso, como ando meio viciado em OSR (Old School Revival), tenho visto muitas pessoas lançando seus próprios produtos e jogos inspirados nas versões antigas de D&D mas sempre com alguma coisa nova, uma visão diferente, um cenário interessante e coisas assim. Hoje em dia é bem mais fácil você fazer isso, com editoração eletrônica, publicação “on demand”, PDFs e tal. Assim, juntei meu gosto por fantasia pulp e Espada e Feitiçaria com minha paixão por RPG Old School e decidi fazer um jogo que bebesse das duas fontes. É um projeto mais pessoal do que qualquer outra coisa mesmo.

3-Diante da gama de jogos de fantasia medieval que temos qual é o diferencial do Bruxos e Bárbaros?
R: O diferencial dele, eu acredito, vai ser, primeiramente, o cenário em conjunto com as regras. Ele não vai ser um jogo de fantasia tradicional, com elfos, anões, halflings e tal, mas sim um cenário mais sombrio, mais fantasia baixa, inspirados em contos de Espada e Feitiçaria como Conan. Culturas antigas e diferentes, intrigas, conflitos, seres estranhos, o desconhecido, decadência da civilização, essas coisas. E muitas delas terão influência no sistema. O sistema de magia será mais caótico. O jogo terá uma levada Old School, sem perícias e especializações, mas com bastante espaço para narrativa, criatividade e participação dos jogadores. Fazendo um jogo desses hoje em dia eu pude me inspirar tanto nas edições mais antigas de D&D como em jogos Indies que focam muito na narrativa e criatividade. E é isso que eu estou tentando focar nesse jogo.

4- O nome do jogo passa uma atmosfera que evoca o gênero de espada e feitiçaria, pensando nisso, gostaríamos de saber: Bruxos e Bárbaros acompanha alguma ambientação? Se sim, você poderia falar um pouco sobre?
R: Pois é, como eu disse, esse jogo terá um cenário integrado às regras. O nome do mundo é Anttelius, que quer dizer Terra Antiga. É um mundo fantástico mas onde os elementos fantásticos são mais raros, mais lendários, mais estranhos. O mundo, obviamente, é muito antigo, e milhares de anos antes do homem se erguer do seu passado primata, outros seres ergueram cidades, impérios e civilizações. Mas algo os fez desaparecer, ou voltar para onde eles vieram. Quem sabe não foi o homem que, então, andava apenas sobre dois pés. Assim surgiram os primeiros povos de homens, alguns herdando os mistérios e a magia desses seres antigos, outros se afastando dela. Fatalmente, as culturas se chocaram, povos escravizaram outros e civilizações foram ruindo e novas surgindo. Na época atual do cenário, há diversas culturas e povos interagindo entre si, uns em decadência, outros em ascendência, outros vindo de outro mundo e muitas outras coisas. Mistérios antigos, ruínas perdidas, tesouros lendários, e monstros sinistros aguardam aqueles que tem a coragem de sair das decadentes cidades. É um cenário inspirado em Espada e Feitiçaria, Fantasia Estranha e Fantasia Científica. Vamos apresentar uma história geral, diversos povos, lugares, lendas, rumores, mas vamos deixar muita coisa aberta, muita coisa que só há alguma teorias, mas poucas verdades. O objetivo e dar ao mestre um mundo cheio de possibilidades e coisas interessantes que ele mesmo possa criar em cima e não deixar ele preso a diversos fatos.

5-Você pode descrever um pouco como será a mecânica básica do jogo, pensando em um panorama bem geral que vá das regras de combate a magia?
R: Olha, é um pouco complicado explicar isso em uma resposta rápida, mas vamos lá. O jogo, como eu disse, será inspirado em edições clássicas do jogo de fantasia original, principalmente edições do início da década de 80. Sendo assim, haverá muitos elementos familiares para quem conhece esses clássicos. No entanto, queríamos mudar algumas coisas, trazer algumas mecânicas interessantes e criar algumas coisas novas. Assim, teremos elementos de outros jogos, como Aspectos, participação narrativa dos jogadores, um sistema de magia mais caótico (poderoso, mas perigoso), e um sistema de combate, leve, abstrato, mas rápido e furioso. Haverá até mesmo alguns incentivos narrativos durante o combate, a fim de estimular os jogadores narrarem mais suas ações. Um dos objetivos do jogo é fazê-lo ao mesmo tempo familiar e diferente, se é que você me entende.

6- Quais são as maiores dificuldades de criar um jogo?
R: Acho que a maior dificuldade é traduzir suas ideias na cabeça para o papel e elas continuarem parecendo coesas como pareciam na sua mente. É complicado pra caramba ser sintético e traduzir bem suas ideias em um texto. Quando você cria o jogo para si, você sabe de todas as motivações para as regras, como elas se encaixam, como devem ser usadas, mas quando vai escrever elas, e outras pessoas vão lê-las, você tem que conseguir se expressar de forma clara, coesa e que faça sentido para qualquer um. Outro complicador, no meu caso, é que estou fazendo um jogo com um amigo, o Felipe Pep, e nem sempre a gente concorda com algumas coisas, e daí ficamos um tempo discutindo sobre como fazer e o porque fazer de um jeito ou de outro. Eu sou um caro meio, conservador e que gosto de muita coisa das edições antigas que algumas pessoas acham complicado, como AC decrescente, THAC0 e outras coisas. Já o Pep, não. Daí ficamos batendo de frente em certas coisas mas sempre acabamos resolvendo. Eu paro um pouco para pensar, reavalio a coisa toda e conversamos de novo. As vezes eu tenho a impressão que quase sempre acabo ganhando os debates e que isso pode deixar ele meio bolado e menos participativo, não sei. Se você estiver lendo isso, Pep, me dá um toque se estiver acontecendo.

7- E os maiores prazeres?
R: Acho que o maior prazer é ver a coisa tomando forma na sua frente, crescendo, evoluindo, mudando e se tornando algo que qualquer um vá poder apreciar, não só você. O prazer final, eu acho, vai ser ver ele impresso e alguma pessoa jogando e criando material para o jogo.

8-Quais são as dicas que você poderia deixar para quem está querendo criar o seu próprio jogo?
R: A maior dica é ter força de vontade, perseverança e nunca desanimar. Escrever um jogo dá um baita de um trabalho, demanda tempo, você tem que rever muita coisa, mudar o que já estava “pronto” e continuar, sempre. É fácil parar e pensar, “ah, dane-se já tem muito jogo”. Mas não vai ter um jogo exatamente como o que você está criando. Se você estiver fazendo algo que gosta, do jeito que você quer, fazendo o jogo para você mesmo, é bem mais fácil, eu acho. Mas é isso, força de vontade.

9- Como o jogo será distribuído? Há planos de contatar alguma editora?
R: Olha, a princípio não penso em nenhuma editora não. No momento estou mais preocupado em escrever e criar para o jogo e não em como vou distribuí-lo depois. Como eu disse, primeiramente, este jogo é para mim mesmo. Mas a ideia inicial é, em breve, disponibilizar um Fast-Play gratuito, com uma aventura que traga bem a ideia do jogo e do cenário, com regras básicas para se jogar e personagens prontos. Isso vai permitir o pessoal conhecer o jogo e as regras. Depois é trabalhar para terminar o jogo todo e pensar em como finalizá-lo. Temos pensado em financiamento coletivo para viabilizar a contratação de artistas legais, designers, impressão legal, quem sabe capa dura, quem sabe uma boxed set. Se tudo mais falhar, o livro sai em PDF mesmo, mas home-made.

10-Deixe um recado para todos que acompanham o Falando de RPG.
R: Fiquem de olho aqui no Falando de RPG! Tem muita matéria legal, reflexões interessantes e textos muito bem escritos, poemas e muito mais. O Álvaro é um cara apaixonado pelo que escreve e por isso o texto dele reflete isso. Estejam de olho no que ele está fazendo!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Um Papo sobre Criação de Jogos com John Bogéa


Olá pessoas! Hoje estamos trazendo uma ótima entrevista como o post da semana, trata-se de uma conversa sobre criação de jogos com um dos designers mais badalados do momentos o John Bogéa, autor de um dos lançamentos da Retropunk, o RPG Abismo Infinito, bem como do famoso Terra Devastada.
Nesta entrevista ele falará um pouco sobre a criação de jogos, deixando algumas dicas sobre o assunto e falando em sua opinião o que constitui um autor competente então sem mais delongas vamos as suas palavras. 



1) Olá John tudo bem? Antes de mais nada o Falando de RPG agradece sua participação e de cara pergunta: Como foi o início de sua vida como jogador de RPG?

Quando era criança ganhei de presente uma caixa do D&D da Grow, minha mãe devia ter achado que era um boardgame qualquer (e, nessa época, eu era louco por boardgames). Devorei o jogo, e, mesmo sem entender direito se sabia jogar aquilo direito, mestrei várias campanhas. Daí por diante, comecei a me interessar muito por RPG, experimentar quase tudo que encontrava.



2) Quando você começou a perceber que poderia começar a criar suas próprias regras?

Acho que desde sempre. Como o D&D 1e era carente de regras para resolução de quase tudo que não fosse combater monstros ou explorar dungeons, eu acabava criando regras alternativas para vários outros aspectos que podiam ser interessantes para a história. E, claro, criava meus próprios cenários também (assim como 99% dos jogadores brasileiros). Dai peguei o gosto pela coisa e, sempre que podia, fazia experiências adaptando e criando regras.


3) O que mais contribuiu para sua formação como um criador de jogos?

Conhecer as obras dos caras que considero grandes game designers de RPG, como o Robin Laws, Vincent Baker, Ron Edwards, John Wick... e, claro, discutir bastante sobre teoria de jogos com outros jogadores que também buscam debater sobre teoria de jogos.


4) Você poderia descrever um pouco como se dá o seu processo de criação?Você tem algum método?

Eu escrevo nas minhas horas vagas (qualquer hora vaga), tô sempre por ai em lanchonetes, barzinhos, padarias e afins digitando algo no notebook. Mas antes de escrever qualquer coisa sobre o jogo, faço muita pesquisa e procuro entender sobre o que realmente quero explorar no jogo e focar todos os esforços nisso.


5) Na sua opinião quais são os atributos necessários para a construção de um bom jogo de RPG?

- Ter um tema bem definido e ser interessante, não necessariamente original, mas que traga uma nova perspectiva sobre a coisa;
- Pesquisa, sempre;
- Foco no tema, sempre;
- Descartar ou abstrair tudo que não interessa pro tema do jogo;

6) Falando um pouco sobre a atual cena do Brasil, como você encara esse momento de criação dos jogos de RPG nacionais? E para você quais são os gêneros que aparentam ser mais "férteis", no sentido de possibilidades de publicações?

Tô adorando a nova cena, dá impressão que as pessoas se livraram um pouco daquela dependência de sistemas famosos (nossa, a febre d20 foi terrível), e pararam de simplesmente reverberar fórmulas manjadas. Não sou contra elementos clássicos de sistema, desde que o uso tenha um bom motivo dentro do tema.
O melhor de tudo é que se voltou a falar bastante sobre RPG, não somente sobre jogo X ou Y, mas falar de RPG de forma geral, discutindo Game Design e fazendo experiências em projetos pessoais.

Não sei se existe um gênero “mais fértil” para publicações, quer dizer, é óbvio que a preferência nacional é por fantasia medieval D&Dística, mas já existe tanta coisa sobre isso no Brasil que talvez não desperte tanto o interesse de quem quer algo novo. Acho que o importante é fazer bem feito, independente do gênero.


7) Sobre jogos já construídos. Você acha que as regras escritas de maneira coerente é o suficiente para se conseguir a publicação ou ter o livro pronto, com ilustrações e diagramação pode ser um elemento decisivo para a publicação por uma editora?

Uma boa apresentação visual sempre ajuda (não só no RPG), é o cartão de visitas do jogo, é o que te convida a ler o texto; com certeza conta muito para conseguir atenção, mas não acho que seja essencial ou mais importante que regras bem escritas. Dogs In The Vineyard (do Vincent Baker) é um dos melhores jogos que já li na vida, e não tem nenhum tipo de apelo visual, parece um documento comum do Word exportado em PDF.


8) Levando ainda em consideração o atual momento brasileiro, o que em sua opinião de criador de jogos o que define o sucesso ou fracasso de um jogo?

Nossa, queria saber dessa resposta (hauahua). Mas existem vários tipos de sucessos, o sucesso financeiro, o sucesso de design, o sucesso de produção, o sucesso de publicidade... Acho (achismo mesmo) que um jogo de sucesso é aquele que consegue um desempenho na maioria desses aspectos (ou não).


9)  Estamos chegando ao fim e por isso perguntamos,  quais suas dicas para aqueles que estão iniciando o trabalho de criação de um jogo de RPG?

Discutam muito sobre teoria de RPG, isso é importantíssimo. Diferente de 20 anos atrás, existem inúmeros espaços na internet pra isso. E, nunca, nunca, nunca sejam puristas demais, radicais demais ou saudosistas demais.


10) Obrigado pelas suas palavras John sucesso nas suas próximas obras, agora  você poderia deixar uma saudação para nossos leitores e divulgar onde podemos encontrar notícias e novidades sobre suas obras?

Comprem livros, joguem RPG, e divirtam-se.
Tenho um site pessoal, o SalaCentoeUm.com, que vive de manutenção (hehheh). De qualquer forma as pessoas podem ficar ligadas no Twitter (@johnbogea; @SalaCentoeUm) ou facebook (/johnbogea; /AbismoInfinito; /TerraDevastada; /Salacentoeum) que to sempre postando novidades.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dicas de como Trazer sua Namorada ao RPG: Entrevista com a Noiva do Bardo

Olá pessoal! Este é o nosso último post em homenagem ao dia dos namorados e hoje nós teremos uma participação muito especial aqui no blog, pois não serei eu que trarei o post de hoje diretamente, mas a minha querida noiva, amada e adorada. Ela contará como se envolveu com o RPG e de que forma você querido amigo jogador/narrador pode levar sua querida senhora a jogar também, então sem mais delongas vamos as palavras da minha futura esposa.



1- Como você conheceu o RPG?

Eu ouvi falar de um grupo que jogava aos sábados na escola que estudava, até então, eu só conhecia o RPG de vídeo-game. então um dia fui a escola aberta e me surpreendi com a entrega, interpretação e o quanto as pessoas se divertiam, confesso que estranhei um bocado, pois de fato é estranho ver no meio de uma sala pessoas rodeadas de cadeiras, falando e vivendo coisas da "época medieval". Logo quis saber mais à fundo o que era aquilo.

2- Qual seu jogo predileto?

Claro que o meu primeiro amor, o Dungeons & Dragons.

3- Você acha que deveria haver mais mulheres jogando?

Com toda certeza. As mulheres são bem espontâneas e criativas. Se dariam muito bem em qualquer  jogo e dariam uma roupagem mais delicada, sensível e perspicaz, ou seja, tudo de bom, de quebra ainda estando mais próximas dos seus namorados.

4- O que um namorado pode fazer para convencer a namorada à jogar RPG?

Primeiro não tratar a namorada como uma chata, ou com machismo. Falar o quanto gosta e é interessante o RPG, falar do quanto seria legal para o relacionamento ter isso em comum, do quanto é importante  para você e por fim fazer com que ela assista à umas mesas, coloca-la com alguma tarefa se possível.Acho que é o contato visual é o que desperta algo lá dentro, a paciência também é parte importante do processo. Tudo com calma.




5- O que afasta as namoradas do jogo?

O que afasta é um namorado machista, que trata a namorada como uma retardada, um cara fanático que não sabe ceder quando é necessário para obter um ganho lá na frente. Tipo, "amor eu vou ao shopping com você hoje, mas semana que vem você assiste uma mesa minha beleza?"

6- Você acha que o jogo de RPG pode unir o casal?

Sem sombras de dúvidas! Aproxima como qualquer atividade feita em conjunto, o RPG em sua totalidade é um jogo cooperativo e une as pessoas, além disso, ele permite que você seja algo que nunca ou sempre pensou em ser e que você veja seu companheiro de uma forma totalmente diferente também, algo que dá traz um bom tempero para o relacionamento ^~.


7- O que você mais gosta no jogo de RPG?

O fato de ser o que quiser ser e claro o rolar os dados.

8- Se você pudesse dar uma palavrinha para todos os jogadores/narradores de RPG que têm namorada o que você diria?

Cara não desista. Seja paciente e perseverante que você vai conquistar sua garota para o RPG.

9- E para as namoradas que implicam com o jogo, mas nunca sentaram para jogar o que você deixa como recado?

Vamos baixar essa guarda minha filha! Seu seu amor gosta tanto de RPG e você o ama, logo não é impossível que você goste de RPG. Pois para você amar alguém precisa admirá-loe o que ele gosta no mínimo é interessante para você. Então dispa-se do preconceito e vai ver uma mesa do jogo dele, aposto que você vai querer sentir aquela magia que envolve a todos.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Entrevista do Falando de RPG com os Antologistas da Antologia Super Heróis da Editora Draco

Olá pessoal! Hoje nós vamos dar continuidade a nossa semana temática super heróis, traremos neste post a entrevista com os antologistas da antologia super heróis, que sairá pela editora Draco, para aqueles que não viram nossa matéria aqui está mais uma oportunidade de vê-la e conferir Antologia Super Heróis.
Então sem mais delongas vamos deixar que é Luiz Felipe Vasques e Gerson Lodi-Ribeiro se apresentem e falem um pouco sobre a antologia e claro sobre os supers. Como sempre não esqueçam de comentar!

Nossos heróis e supers! 


>> Olá galera! Antes de começarmos nosso bate papo vocês poderiam se  apresentar?

[LFV] Meu nome é Luiz Felipe Vasques, sou formado em design gráfico, com especialização em Animação e dispersão em História, Ficção-Científica, Literatura, Cinema, role-playing games, etc.

[GL-R] Sou Gerson Lodi-Ribeiro, escritor e antologista de ficção científica e história alternativa, desde sempre.

>> Bem, com as devidas apresentações feitas, vamos a primeira pergunta: como
surgiu a ideia da antologia de contos sobre super heróis?
[LFV] Eu tive esta ideia ano passado, lá por Março ou Abril e quis que um amigo, já com alguma experiência em organizar antologias, a executasse. Prontamente ele rasqueteou-me de volta, "Por que VOCÊ não faz?" Pensei, entrei em contato com a Draco, e o Erick disse que sim, desde que, face à minha inexperiência prévia, tivesse um antologista já tarimbado no projeto, também. Sobrou pro Gérson. Aí, mãos à obra...

[GL-R] De lá para cá montamos as guidelines e estamos analisando as submissões recebidas.

>> O que vocês consideram como elementos inalienáveis desse gênero fantástico?
[LFV] Pra toda regra gerada, há exceções... perceba: para mim, inalienável é o elemento sobrenatural (origem alienígena, experimentos que saem do controle ou avançado demais ao ponto que escapa às leis do conhecimento, maldição ou benção de seres do além, destino) a respeito de sua origem e habilidades (vôo, etc.). Tão importante quanto é ter, como eu digo, o coração no lugar certo: proteger, salvar, ajudar, etc.  Só que um sem o outro não tem o super-herói. Vc pode ter o anti-herói, vc pode ter o super-vilão, ou o super não-tô-nem-aí. Mas o super-herói tem que ser aquele chato. :) O que, para fins de antologia, não quer dizer que não estejamos evitando histórias no estilo "Kick-Ass", percebam... como disse, para toda regra gerada, há exceções... ;-)

[GL-R] Há histórias que pertencem ao gênero fantástico e outras que, embora não inseridas nesse gênero, possuem elementos fantásticos. A diferença é que um trabalho do gênero fantástico — seja ficção científica, horror, fantasia, história alternativa, etc. — não pode ser contada sem esses tais elementos fantásticos.No caso de histórias fantásticas de super-heróis, sim, estamos falando de superpoderes. Porque, em última análise, superpoderes são elementos fantásticos por excelência. Só que, como o Luiz falou, não adianta apenas ter superpoderes. O que define o herói é a decisão de fazer o que é preciso, o que é certo.

Nós também temos super heroínas bonitas e poderosas


>> Falando mais especificamente da antologia, vocês afirmaram que os heróis devem preferencialmente viver suas aventuras em terras lusófonas, partindo desse princípio, o que vocês consideram mais atrativo e mais complicado  nessa ambientação?

 [LFV] Há um tempo atrás, saiu um livro -- vou ficar devendo a referência --afirmando que só um país como os Estados Unidos da América poderiam criar os super-heróis. E eu acho que tem razão: passa por uma auto-imagem de "nascidos para vencer", o fato que decidiram as duas guerras mundiais quando nelas entraram, raízes Calvinistas, crer em um Destino Manifesto, líder em indústria e tecnologia, maior mercado do mundo, superpotência nuclear, mercado gráfico firme, tradição/escola em folhetins, idem em histórias em quadrinhos, etc. 
Isto está longe de ser o Brasil ou o Portugal que conhecemos, onde a auto-estima não está em alta, via de regra; e aqui, ainda achamos que malandragem é a resposta pra tudo. Imagino que seja um dos motivos em falhar em crer que possamos ter histórias - olha as aspas - "sérias"
de super-heróis por aqui, embora haja e tenha havido no passado (como o Judoca e mesmo o Capitão Aza, o mesmo do programa infantil dos anos 70). Parece que Supers, por ser uma "coisa de americano", aqui só é permitido se for na base da sátira. O desafio passa então a ser este: um herói, e super, estabelecido em países e culturas não tão "vencedores" assim. E sinceros.
Desafio não tão distante, diga-se de passagem, como quando acreditava-se (ainda mais) que "Ficção Científica é coisa de americano"... acho que estamos superando esta fase, não?

[GL-R] Trata-se, no fundo, de um desafio. Uma proposta de fugir da mesmice. Porque, nossos autores brasileiros e portugueses conhecem melhor a realidade de seus países do que a realidade norte-americana e, como sabemos, é mais fácil escrever sobre o que se sabe. Além disso, se o leitor em potencial se interessa por uma antologia brasileira sobre super-heróis, é porque deseja entrar em contato com histórias de super-heróis escritas com um tempero diferente, o sabor luso-brasileiro. Queremos alcançar justamente essa parcela do público que já anda farta de ler aventuras sempre iguais de um super-herói anglo-saxão pasteurizado.  Até porque, se for para escrever sobre um herói anglo-saxão defendendo, sei lá, Metropólis, Nova York ou Gothan City, com toda a probabilidade um autor anglo-saxão já escreveu essa história melhor do que o autor lusófono que está nos mandando a submissão agora e, pior ainda, a maioria do nosso público leitor já leu essa história antes. 

Para os escritores, que escolheram a antologia de super heróis como seu primeiro concurso, quais são suas recomendações?
[LFV] Respeite os seus personagens e a sua história. É tão válido quanto outro gênero qualquer que você empenhe.

[GL-R] Talvez valha a pena lembrar que literatura e HQ são mídias distintas. Num texto, o autor precisa mostrar ao leitor o que está acontecendo sem o auxílio das ilustrações. Repare que falei “mostrar” e não “contar”.

Não, esse não é o Ciclope é o Raio Negro um super brasileiro 

>> Antes de acabarmos nossa entrevista eu pergunto: qual é o seu super heróis favorito e se você pudesse ter um super poder qual seria?

[LFV] Só um?


[GL-R] Sei lá. Não queria ter nenhum, não. Acho que esse lance de superpoder traz mais problema do que solução. Depois, você vai ter que passar o resto da vida salvando uns bobalhões que não sabem se cuidar sozinhos e levando porrada de supervilões... O.k., o.k., as uvas estão verdes, certo? Falando sério? Telepatia. Desde que viesse com botão de liga/desliga.  








Obrigado pela entrevista e deixem seu recado para os leitores do Falando de RPG.
[LFV] Leiam.


[GL-R] Isto! E, de preferência, o que nós escrevemos e publicamos!



Obrigado,
Gerson.