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quinta-feira, 17 de março de 2016

CONTO: Eu, um senhor ?

Olá leitor e leitora! Hoje estamos trazendo para vocês um pequeno conto cheio de ação para inspirar e entreter um pouco você, espero que gostem! 


Pare e pense. Respire Fundo. Chegou a hora.

Posso sentir meu coração rugir dentro do meu peito e em minha testa gotas pesadas de suor dançam entrando nos sulcos que formam minhas linhas de expressão.

Chamas bruxuleiam. A noite é fria e escura. Mas alguns telhados lá fora queimam.

Pare e pense. Observe e haja. Chegou a hora.

Aperto a espada. Envolvo o couro que cobre o cabo com meus dedos escorregadios. Minha mão treme e insiste em me lembrar que aquelas criaturas são feras selvagens. Desejo permanecer escondido, imóvel atrás da tapeçaria, mas não posso, eu empunho a espada do barão. O barão que os monstros assassinaram.

Agora estão lá, próximo a mesa de banquetes, fungando as mulheres com seus focinhos de porco e lambendo suas presas enormes enquanto crianças acorrentadas tremem em choro mudo sob a débil sombra do trono de pedra e homens contorcem-se em impotência. Apenas duas criaturas, armadas com machados e vestidas com corseletes de tecido mal cheiroso e mesmo assim todos os três guardas, o barão, sua esposa e seus filhos estavam mortos.

Só sobrara eu, um servo, de talento com a espada é verdade, mas condenado pela falta de linhagem ao rude serviço. Só sobrara eu, que fora açoitado por ser pego manejando as espadas de madeira destinadas aos pequenos senhores deste também pequeno baronato.

Acaso vença, serei por direito de bravura o novo barão? Não importa, porque a morte é certa.

Firmo o passo e não escondo minha presença. A garganta explode em um grito rouco e ardido quase que com um pequeno gosto de sangue. Os dois monstros viram-se com agilidade, seus pequenos olhos vermelhos não escondem a surpresa e seus braços tortos e esverdeados não tardam a achar o cabo dos machados.

Sinta a luta. Esqueça o medo.

Arremesso uma das cadeiras de madeira pesada na direção do mais ágil e o retardo. Com o punho firme estaco a espada no segundo monstro. Sinto a lâmina afiada romper a fibra do tecido, contudo sem ferir a sua carne. O primeiro mostro então golpeia-me com o machado enferrujado e por reflexo meus pés saltam para a mesa, aterrissando sobre ela, trêmulos. O segundo  vem sobre mim afim de cortar-me as duas pernas de uma vez, mas sobre tamanha fúria eu salto e caio rolando sobre a palha do salão às suas costas.

Ainda vivo. Não posso perder tempo.

Reviro-me, quase como uma serpente e em ato desajeitado rasgo as  suas costas. Seu urro é feroz, tal como o de um animal. Na espada do barão um filete de sangue negro escorre, enquanto no fétido corselete o tecido é embebido. Aprumo então o punho e de joelhos, dou-lhe uma apunhalada. A fibra dura de sua carne sede espaço a ponta da espada , vejo-a florescer do seu peito, banhada da negritude de seu sangue inferior.

Vitória!

Mas, uma dor mordaz toma-me! Como pude me deixar levar por erro tão infantil? O machado do outro castigara-me e meu sangue e  carne agora diante dos meus olhos voavam pelos ares. Cônscio da aguilhada, percebi que fui atingido no ombro, por sorte o esquerdo. Apesar que tenho certeza de que era o pescoço o alvo pretendido por este imundo.

Preciso ter muito cuidado.

Parece-me que do meu ombro um rio de cor vermelha acaba de nascer. Pontadas profundas levam aos meus olhos o atordoamento da dor como pequenas estrelas escuras que invadem, fazendo-se e desfazendo-se na visão. Mas continuo e mergulho na luta.

Machado e espada se chocam. Faíscas espalham-se no hálito acalorado pelas cinzas das construções inflamadas. Olho fundo nos olhos vermelhos do monstro e sinto que ele faz o mesmo comigo. Medo... Escuto sua voz gutural balbuciar, abrindo-se em uma sorriso horrendo, sua bocarra demonstrando seus dentes tortos e pontudos. Uma visão de terror.

Perco as forças em meu braço. Os pés retraem-se. Tomo a espada com as duas mãos, mas é inútil. Meus nervos dos dedos tremem. Os joelhos cedem e minhas costas encontram o chão, enquanto meus lábios bebem da viscosa baba que recai sobre eles, provinda da gargalhada do assassino.

É meu fim, estou sentindo. Não! Não! Preciso ter forças.

O Machado do meu inimigo desce sobre o meu ferimento. A minha voz é dor e minha boca é trombeta de sofrimento. E a lâmina enferrujada devora a carne, devora nervos, separando o meu membro do meu corpo. Meu sangue, ainda quente, toca-me as costelas. Ainda sinto o braço, mas ele não me pertence mais, jaz ao meu lado apenas.

O desespero escala-me do estômago a garganta. Não cedo. Procuro uma última brecha e lá está, sim, tão pequena que determinará meu destino. Respiro. Apoio o meu pé em alguma parte do corpo do monstro e empurro com toda a força, crio um espaço e apunhalo então a sua carne com um golpe fraco, mas suficiente. Relaxo o pé e deixo que caia sobre a lâmina.

Escuto o grunhido do seu último suspiro e sinto o seu mau hálito. Está morto.

As mulheres me levantam em lágrimas de felicidade, eu liberto as crianças e sento no trono. Meu sangue escorre sobre cadáveres, palha e rocha. Todos me olham, perdidos, assim como eu. 

Seria eu agora o senhor? Não sei...


Por hoje é só!
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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

CONTO NOVO: A vingança de Kalfur

No post de hoje, preferi não trazer nenhuma dica, apenas a divulgação do meu mais novo conto. Ele já está  disponível para compra na Amazon por um preço simbólico de R$ 4,00




Magia, guerra e fúria se misturam em uma história de conquista e vingança. Acompanhe Kalfur em seu confronto com os fantasmas do passado, testemunhe a ruína de Tilom e descubra se o destino pode ser enganado!



Por hoje é só, até a próxima  e não esqueça de comentar!

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Conto: A queda de Valkíria 3

Olá pessoal! Hoje foi um dia bem difícil, mas consegui postar. Hoje trago para vocês um conto que escrevi faz um tempo, mas que ainda não tinha postado no Falando de RPG. Fiz ele para um concurso e acabei não sendo aprovado,  então resolvi colocá-lo no meu outro blog, o Fantástica Palavra, agora coloco ele por aqui.
Aproveito também para pedir que quem me acompanha pelo Falando me acompanhe por lá, para dar aquela força e ver o que ando fazendo no que toca a poesia e prosa. Então, espero vocês por lá e boa leitura, não esqueçam de comentar. Até mais. 



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Conto A Contenda das Famílias






Olá pessoas! Hoje estou trazendo para vocês um conto que tem como temática o meu cenário de fantasia medieval, cenário este que atualmente está sendo o palco da primeira e também das próximas aventuras que narrarei para um grupo de grande amigos e esplendorosos jogadores.
Espero que todos gostem do conto e peço que deixem suas impressões sobre a história no comentários, desde já também agradeço ao FFenrix do http://www.cavaleirosdasnoitesinsones.com.br/ que me ajudou com a edição e revisão do conto.
Pois bem, sem mais demoras ai vai o link do conto, por hoje é só e até logo!


http://www.4shared.com/office/XpgWw-uk/Contos_de_Erenor.html?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Contos de Sexta: O Rei e o Dragão Parte 2

Olá jogadores e jogadoras, mestres e mestras! Nesta sexta deixo com vocês a parte final do conto O Rei e o Dragão, assim como também para aqueles que não leram a primeira parte deixo o link logo abaixo. Brevemente coloco o arquivo para download também, espero que gostem e não esqueçam de comentar!



O Rei e o Dragão Parte 2

Diante de tal visão, Alcagalax achou-se poderoso e vencedor, assim ele rasgou os ares, com um vôo rasante e perigoso, jogou-se diante das tropas do rei élfico e soprou um grande cone de  ar gélido, transformando muitos em estátuas de gelo.
O pânico se alastrou, as tropas saíram de sua formação e diversos cavaleiros foram pegos de surpresa por grupos de gigantes que espreitavam, a derrota parecia certa.
Fortunir esforçava-se para manter todos encorajados, entretanto nem todos respondiam as suas palavras de poder e ordem, Adhacast inutilmente conjurava círculos de proteção, que logo eram quebrados pelos contra-encantos do dragão.
Nas bases da fortaleza Trokim via os portões serem explodidos, por tal explosão o pobre anão foi arremessado e quase desmaiou; contudo, seu ódio foi enorme e não deixou que sua alma adormecesse, permitindo assim, que o guerreiro anão visse e se assustasse com a quantidade de trolls do gelo, que agora entravam na fortaleza, comandados por gigantes de gelo.
Mas, esse com toda a certeza não seria o fim da história, pois Talion e Laucunor sabiam como eram os dragões e sua arrogância, Alcagalax logo abriria a guarda; e dessa maneira haveria uma chance de por fim ao seu terror, mesmo que tal chance fosse pequenina, como o buraco de uma fechadura.
Então em um momento do sexto dia quando as forças do exército do elfo rei já estavam prestes a definhar por completo, Alcagalax abriu sua guarda e vacilou, enquanto se proclamava vencedor, devorando alguns e escarnecendo do rei.
Não perdendo a oportunidade Laucunor e Talion se mativeram frios e prepararam o arpão,enquanto isso os sete que acompanhavam o humano bravamente chamaram a atenção do dragão, Alcagalax com todo o seu capricho caiu na armadilha e começou uma caçada, semelhante aquela que um gato faz contra ratos; no entanto, neste caso em particular os ratos eram espertos.
Bailando com machados, foices e cimitarras os sete guerreiros instigavam o ódio do dragão, cortando as escamas das patas traseiras e esquivavam-se dos golpes que Alcagalax efetuava devastadoramente. Nem mesmo um grande cone de hálito frio foi capaz de fazer os guerreiros pararem de dançar o que era chamado pelos guerreiros viajantes de “ círculo dos sete armados”.
Dessa maneira, Alcagalax se viu concentrado de maneira plena nos seus adversários atuais, esquecendo assim de todos os outros que o circundava, abrindo assim sua guarda e demonstrando seu ponto fraco para aqueles que pacientemente esperavam por isso.
Enfim, quando os sete dançavam mais fervorosamente e o monstruoso Alcagalax mergulhado em sua fúria atacava voraz e imprudentemente, Talion e Laucunor tiveram a oportunidade que  ansiavam e dispararam o arpão que fortemente rasgou o ar acertando em cheio o imponente dragão branco.
Os gigantes remanescentes tremeram ao ver seu senhor ser atingido, com isso foram logo abatidos pelos restos das forças do rei elfo, os últimos batalhões que ainda lutavam comandados por Trokhim, Fortunir e Adhacast.
Alcagalax urrou e proferiu uma maldição pela última vez, pois logo após ser atingido desfaleceu na dor, tendo o arpão atravessado em seu maldoso coração.
Enfim, havia terminado a batalha do rei e do dragão, tornando-se mais uma história, mais uma vitória a ser contada e cantada nas Terras Brancas onde reina forte Talion o elfo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Contos de Sexta: O Rei e o Dragão Parte 1


Olá pessoas! Hoje trago mais um conto de sexta, é essa semana eu consegui sim uhu!!! No conto de hoje teremos uma grande batalha, um rei élfico e um terrível dragão,mas vou avisando o conto não está completo, pois a segunda parte eu vou divulgar só na próxima sexta, mesmo assim,  espero que vocês gostem e comentem, afinal o "feedback é sempre importante hehehe.

O Rei e o Dragão

O rei Talion estava preparado, sua fortaleza de pedra estava guarnecida e reforçada, seria uma grande batalha, talvez a maior que as Terras Pálidas testemunhariam; mas com certeza a batalha da vida do grande nobre.
Pois, o rei não enfrentaria um mal comum, mas teria como adversário Alcagalax e sua hoste, que juntamente com o venerável dragão avançava contra o vento. Nem a tempestade de granizos cortantes do eterno inverno das Terras Brancas podiam impedir o voo do terrível ser; pois no seu coração ambicioso havia apenas espaço para o desejo cobiçoso de se apoderar dos tesouros de Talion, do brilho e do valor que a grande fortuna emanava.
Contudo, Talion não desistiria sem luta, protegeria seu ouro e suas jóias, velaria pelo povo que jurou cuidar e proteger; por isso, o rei élfico reuniu suas poderosas tropas, contudo, os guerreiros que formavam essas tropas não foram os únicos a serem chamados, com eles haviam aqueles que um dia lutaram ao seu lado e prometeram lealdade eterna.
Assim, além de Talion e seu exército valoroso, estavam na batalha Lauconor da tribo dos homens navegantes  e sete guerreiros que o seguiam, Fortunir o hospitalário do sul, Adhacast o mágico; e, por fim, Trokim o anão sem lar.
Não demorou para que a batalha começasse de fato, pois Alcagalax o terrível e seus gigantes de gelo logo investiram vorazmente  contra os grandes muros de Talion, aterradora era a presença do dragão, muitos tremeram perante o colossal ser; mas os guerreiros de Talion, e seus aliados do  passado, não abandonaram os seus lugares na batalha.
Os gigantes conjuravam grandes esferas de gelo, fazendo-as voar como pássaros de rapina, horrível era  o efeito e muitos guerreiros perderam sua vida por intermédio da chuva das grandes esferas gélidas; entretanto, tal feito não ficou sem resposta, Adhacast com toda sua erudição arcana criou o fogo, modelou em formato de flechas  e o fez chover por sobre a cabeça de vários dos  gigantes, estes em um lamento definharam;  e como neve em uma manhã de primavera, derreteram aos poucos.
Trokim e tantos outros guerreiros neste momento feriam os calcanhares e pernas das gélidas criaturas; mas, tão forte era o machado do anão que sem demasiado esforço ele fazia seu adversário beijar o chão. Enquanto, isso Fortunir auxiliava no combate e com mãos curativas fechava os ferimentos dos abatidos e revigorava de modo miraculoso o espírito dos que pensavam em desistir.
A luta na fortaleza de Talion por muito continuou;  este com Laucunor e seus companheiros se concentravam no odioso dragão, manipulavam com força e habilidade o grande arpão, contudo eficácia não havia tido a arma contra a grande presteza de Alcagalax.
Contudo, depois do quinto dia de batalha haveria enfim um vencedor. A maioria do povo de  Talion estava fadigado e suas pálpebras apresentavam-se abatidas, demonstrando a fraqueza dos seus membros, nas fileiras inimigas a fúria só aumentava e gigantes esperavam as ordens venenosas do seu dracônico senhor.

Continua...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Contos de Sexta: Terror no Museu Morgan

Olá senhores e senhoras! Hoje teremos mais uma estréia aqui no blog, hoje estamos abrindo a coluna contos de sexta e como nesta sexta temos uma sexta treze apresentamos um conto de terror, espero que gostem e claro não esqueçam de comentar, até breve e boa leitura.

Terror no Museu Morgan

Chovia forte e os relâmpagos cortavam o céu, rasgando com sua luz a densa malha de nublada escuridão, formada pelas cores soturnas que inundavam a noite. Eu estava no meu trabalho, mais precisamente na segunda ronda da madrugada, caminhando pelos largos e sombrios corredores do Museu Morgan, um museu especializado em achados arqueológicos de civilizações selvagens, que viveram em um passado longínquo.
Naquela época, eu era apenas um vigilante, não tinha estudos refinados, por isso todos desenhos; e as figuras  esculpidas em barro e rocha, não passavam de grandes besteiras, coisas idiotas, que tomavam tempo de mais de homens inteligentes, estudiosos que ansiavam por alguma descoberta.
Mal sabia eu, que naquela noite toda minha percepção mudaria, graças a uma revelação, que atormenta meus dias sonolentos e minhas noites insones até hoje. A partir daquela maldita noite, eu compreenderia que a ignorância é uma benção, enquanto a sabedoria é uma porta para a loucura.
Tudo ocorreu a meia-noite da sexta feira 13 de janeiro, quando estava na penúltima sessão do museu; a qual guardava os ídolos esculpidos pelos selvagens das ilhas do pacífico. Para mim de todas as salas, aquela era a mais repugnante, nela não havia mais nada além das estatuas; no entanto,  tais símbolos de idolatria infame eram horrendos, dotando o recinto de uma atmosfera sinistra e sufocante, que eu jamais saberia explicar.
Por um único momento eu exitei adentrar o local, pois me senti estranhamente acuado como um animal ou um menino; entretanto, me deixei levar por meu dever e na sala das estátuas pisei, dizendo para mim mesmo que elas eram feitas de barro e pedra, que não havia ali perigo.
Com a selvageria da tempestade e o som quase diabólico dos trovões, o local parecia ainda mais estranho e amedrontador. Lembro-me, que antes de ocorrer o terrível momento, as minhas mãos tremiam, deixando a chama da minha lanterna tremular; na sexta maldita estávamos sem energia elétrica, pois a furiosa tempestade havia interrompido a sua transmissão. A única luz era provinda do fogo, esta que viria a ser posteriormente minha salvação.
Quando minha ronda na infame sala estava por se encerrar, um relâmpago estranho iluminou as janelas, com ele um som terrível ecoou, um som abissal e alheio a toda a sonoridade natural desse mundo. O clarão bizarro e o som infernal revelaram o horror que me circundava; ídolos de diversos tamanhos me fitavam, com seus macabros olhos sem vida seguiam cada movimento meu.
As estátuas estavam imóveis; e ao mesmo tempo pareciam me tocar, meu corpo sentia o úmido e demoníaco toque através de arrepios constantes, eram  garras, línguas e sabe-se mais o quê. Contudo, mesmo sofrendo tamanhos abusos, os meus olhos nada podiam ver, além dos inominados ídolos fantasmagóricos e imóveis em suas posições.
Em meio ao meu terror, uma música começou a tocar dentro da minha mente, era uma canção de vozes abafadas e inumanas, pronunciadoras de palavras estranhas incompreensíveis para qualquer ser humano que as ouvisse.
Amedrontado ordenei ao meu corpo que caminhasse; mas, minhas pernas estavam de alguma forma presas, agarradas pelos membros invisíveis dos demônios residentes das blasfemas estátuas.
A música ficava cada vez mais alta, minha consciência se esfarelava; e eu já não escutava a tempestade, a própria sala, outrora nítida aos meus olhos, desaparecia engolfada por uma escuridão imunda, úmida e salobra. Dentro da minha mente, os ídolos giravam como um pião acelerado, revelando-me uma sabedoria milenar, sideral e macabra, fazendo-me viver pesadelos caóticos, que roubaram meus sentidos numa transcendentalidade que não ouzo descrever.
Quando sentia o último resquício da minha alma ser absorvida, minha mente ser escravizada e o meu corpo consumido, eu escutei um agudo e agoniante grito. A macabra música silenciava-se em agonia; e as trevas da minha visão se encolheram em forma de tentáculos bruxuleantes.Eu não sabia o que havia ocorrido, até perceber a minha lanterna no chão e as chamas consumindo o óleo esparramado no piso.
Desse momento em diante não tenho muito o que falar, a terrível experiência levou-me a horríveis delírios, os quais guardo sofrivelmente apenas comigo; mas falarei que mesmo em minha crise nervosa, eu fui capaz de entender o que aparentemente levou ao fim a investida daqueles ídolos sobre mim.
De alguma forma, que não me recordo direito, eu coloquei o prédio; um grande e velho edifício colonial, para queimar. O fogo não demorou para consumir todo o lugar, enquanto as labaredas dominavam a estrutura do velho prédio, eu podia ouvir na minha mente os sinistros e alienígenas gritos de agonia.
Quando amanheceu havia apenas cinzas e restos queimados de relíquias, como todos sabem, eu fui chamado de louco e condenado a passar o fim da minha vida miserável ao lado de delinquentes e debeis mentais; contudo, eu sei o que vi, tenho consciência que não sou louco, mas um iluminado, um profeta que vislumbrou as adormecidas criaturas das trevas, aquelas que trarão ao acordar o fim da nossa frágil raça.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Novo Conto: A Justiça do Palhaço

Olá senhores e senhoras hoje trago para vocês um pequeno estudo literário que ando fazendo, no inuito de desenvolver um personagem e uma ambientação para ele, bem espero que gostem e não deixem de comentar me dando uns toques de como melhorar!


Recife minha cidade, de grandes prédios frios e esplendorosos sobrados abandonados, de ruas estreitas, que revivem dias e noites passadas, de avenidas largas, que encarnam um progresso não acontecido. Recife, meu palco, meu picadeiro, onde o palhaço surgiu, onde eu apresento o espetáculo da justiça.
Sentindo o vento tocar a minha máscara eu danço, montado em minha moto, na agradável melancolia de mais uma madrugada, procurando um holofote, uma cena que propicie ao espírito da justiça mais um momento belo no decadente picadeiro que é a noite recifence.
Viro a esquerda, meu pneu canta e cinquenta metros depois eu encontro uma oportunidade de show, meu sangue ferve, me causando a mesma sensação que os gritos do público me causavam em um passado enevoado,  lá estava a cena montada apenas a minha espera.
Eu desço da moto, arrasto minha corrente, observo o que se passa ao longe, um homem pálido e forte prendendo com seu corpo e braços uma mulher negra, sufocando-a com a mão direita, tocando-a com a mão equerda, sinto entrar pelas minhas narinas o cheiro do desespero e o odor fétido do prazer que aquele homem sentia ao protagonizar aquela terrivel situação, diante de tudo que vi aproximei-me aos poucos.
Em passos pesados me inseri na cena, o espetáculo da justiça deveria sem mais demoras começar, minha corrente arrasta-se pelo chão , os olhos da garota me fitando, clamando por socorro, friamente os percebo, não posso me emocionar, ceder a emoção é permitir que cresça o desespero e a irracionalidade, frieza é do que preciso.
Finalmente o idiota me percebe, ele se assusta com minha presença, ridiculariza minha máscara, as faixas manchadas, com o que um dia foi meu próprio sangue vivo, meus olhos cinzentos e quase mortificados no meu jeito de olhar, o curioso e cômico nariz vermelho, os cabelos longos e desalinhados que com minhas vestes negras completam o que para muitos seria uma fantasia, mas que para mim é de fato meu corpo.
Vejo suas mãos tremerem, elas fraquejam e aquela que segurava a garota perde demais a força, a jovem mulher se solta e vai, aos prantos correndo para longe de seu trauma, fico assim só com meu adversário, não haverá plateia viva esta madrugada, apenas as frias armações de concreto.
O seu medo o faz balbuciar o meu nome "Palhaço" em um misto de terror e xingamento. Eu olho no fundo dos seus nojentos olhos, projeto um pequeno e sombrio sorriso, eu o vejo tremer ainda mais, ódio e medo então se misturam com adrenalina começaria o espetáculo agora.
Com toda a agressividade, antes destinada a mulher, ele parte para cima de mim, projeto minha corrente em direção ao seu punho esquerdo, ela o prende e eu puxo seu musculoso corpo fazendo com suas pernas percam o equilíbrio, ele cai e seus lábios sujos beijam violentamente o chão.
Ele se levanta, lábios cortados e provavelmente alguns dentes quebrados, tentando usar a minha corrente contra mim ele me puxa, deixo-me levar por sua força, em seu desespero cólera ele tenta me acertar um soco, mas sua lentidão é risível, seu golpe passa sem tocar meu rosto não me causando mal nenhum.
Minha bota vai de encontro com o joelho do meu adversário, um chute bem feito com a ponta da bota feita de aço faz muito bem o seu trabalho, imediatamente  o "machão" branco cair, provavelmente com o joelho bastante lesionado, primeiro ele se ajoelha, mas a dor insuportável leva-o ao chão, ele geme de dor, está quase tudo acabado, exceto pela falta de um grande final.
Arrumo minha corrente na mão direita e me preparo, observo os olhos do moribundo, que confuso pede-me por misericórdia, mas eu não tenho misericódia, ele não teve compaixão com a garota, não tiveram compaixão comigo, faço assim valer minha vontade, chicoteioduas vezes as costas do canalha, minhas correntes afundam na carne, trazem para fora o sangue ao som da quebra de alguns ossos. Meu adversário desmaia, tudo acaba, recebo os aplausos silenciosos da justiça e a luz do picadeiro se apaga.
Banhado pela escuridão e pela luz pálida das estrelas distantes eu subo em minha moto e sigo em frente, olho por um minuto o céu e sei que os anjos me observam com temor e admiração, demônios fogem de mim, ficam apenas os meus fantasmas, que me levam para onde a justiça precisa rir uma gargalhada de vingança.  

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Réquiem da Fortaleza e As Lágrimas do Cavaleiro. Parte Final

Aqui está a primeira parte do conto




Argion lançou-se ao seu martírio. A espada em cada corte cantava a fúnebre melodia da derrota, os últimos guerreiros do grande exército da fortaleza cambaleavam, matavam inimigos e prostravam ao chão. apagavam-se as suas luzes, as suas estrelas, adormeciam suas almas.
Os inimigos vorazes, trespassavam as armaduras com machados e lanças as armaduras, suas armas plantavam feridas que frutificavam em sangue e tragédia. As bandeiras da antiga glória eram queimadas, como incenso que glorificava a vitória dos adversários. A Fortaleza virava cinzas.
Os olhos de Argion observavam por uma das janelas, todo o baluarte tomado e em chamas, no alto as novas bandeiras tremulavam com o vento." A pedra forte rolou e ruiu e o forte encontrou seu algoz e a dor." disse com pesar a alma do guerreiro.
A arma inimiga rasgou a carne e um grito de dor eclodiu da garganta, os olhos de Argion arregalaram-se, o general havia sido atingido por uma pesada espada e seu peito perfurado por uma grande lança  foi. O ultimo líder tombava. A vida o deixava, enquanto seu corpo encontrava-se com o chão, seus pulmões entregavam-o ao eterno sono.
Havia apenas Argion e mais meia dúzia de guerreiros lutando, o fim estava decretado. O azul do céu, o calor do sol e os antigos sorrisos ficariam para trás . A batalha chegava ao fim. A derrota e a morte pareciam um alívio, o fim não mais era amargo, ao menos não como a sua espera.
Assim, como um espírito em seu momento final foi Argion, derrotado e ao mesmo tempo cheio  de glória, ele e mais os seis sobreviventes encheram-se de poder e esplendor gritando "Pela Fortaleza!." Os inimigos temeram, as espadas que reluziam, a coragem e a força de Argion e seus companheiros, força vinda da morte e também da vida. Argion e os outros lutaram chorando no derradeiro ato, falecendo em pouco tempo. Entretanto, levaram consigo muitos dos seus inimigos, fazendo aqueles que incitaram o medo tremer de pavor. Escreveram na história dos seus algozes a sua história, eternizando seus atos e vivendo na memória de muitos povos para todo o sempre. 

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Réquiem da Fortaleza e As Lágrimas do Cavaleiro. Parte 1

Olá queridos leitores hoje trago a primeira parte de um conto que estou escrevendo espero que gostem e não esqueçam de comentar!


A dor tocava o corpo molhado. O céu negro derramava rudemente gotas de água que mais pareciam minúsculas flechas. O desgaste estava esculpido nos firmamentos da alma e na carne de Argion, mais dos centenas de nobres guerreiros defensores da grande Fortaleza.
Os gritos alertavan. Os homens deveriam recuar, deveriam abandonar seus postos. Argion ouvia as ordens e com elas os trovões, formando algo semelhante a voz dos deuses destruindo o mundo." Aquela era a grande muralha" pensava Argion. "Nada poderia leva-la ao chão!"Nada a não ser a mágica poderosa, provinda  da astúcia de uma mente ardilosa e maléfica.

Argion olhou as invencíveis muralhas caídas, lembrando que na noite anterior havia brindado o triunfo com seus companheiros, agora mortos. Seus coração como o de outros que o cercavam vislumbrava a derrota e a morte eminente. O esplendor do grande baluarte estava ruindo, as muralhas derrubadas eram o sinal da decadência propiciada pelo fogo negro do inimigo.

Lágrimas percorreram seus olhos por um momento, um medo infantil tentava dominar seu espírito maduro, enquanto seus passos levavam-no pela Torre de Vigia ao Reduto do Rei, uma construção alta de onde podia-se ver o mar, um belo sepulcro para os mártires da grande batalha.
Sem cessar Argion abria caminho, sangue, suor e gritos de dor se misturavam ao som de sua espada abrindo feridas nos inimigos, trespassando suas  armaduras. Amigos mortos e feridos ficavam para trás, não havia como levá-los para serem enterrados ou curados, era a guerra, não havia tempo para compaixão, não havia como salvar-se e salvar um outro.
A porta foi bloqueada, não havia como niguém mais entrar no Reduto do Rei, Argion foi o ultimo, com ele estavam um general e mais cinquenta homens, todos estavam cansados, pesarosos, humilhados e derrotados. Sitiados pelas tropas adversárias, a esperança morria a cada hora que passava.
O general preparou-se apertando sua arma com o punho e respirando fundo," um ultimo suspiro de um guerreiro" pensou Argion que  seguindo a atitude do general pegou em sua arma e aguardou junto de seus companheiros, a porta havia resistido por muitas horas, mas agora estava cedendo.
Quando ela caiu fazendo um grande barulho ao tocar o chão, um grupo de bárbaros adversários adentrou no Reduto do Rei. A chuva havia parado e o calor que se formou trouxe o cheiro da morte com ele, o palco do ultimo combate estava erguido, o derradeiro momento enfim iria começar.

Continua...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Jardim Carmesim

GENTE ESTE É UM CONTO QUE ESCREVI PARA COMPARTILHAR COM VOCÊS BOA LEITURA!

Nas terras distantes existia um reino governado por um jovem rei que se angustiava por reinar só. Mas em um crepúsculo de outono, enquanto as folhas secas caiam serenamente, o rei cavalgava e durante o seu passeio viu entre as árvores um ser mágico que como um gatuno arrebatou seu coração.

Era a ninfa de nome Encanto, que era imensamente formosa, de olhos cintilantes como esmeraldas, tinha uma pele brilhante e dourada, lábios tão delicadamente esboçados, dotada de uma voz de anjo e um corpo intocado.

Dentro do coração real foi tamanho o sentimento que o seu espírito despiu-se do medo e o corpo paralisado controlou, então o rei pegou as rédeas do cavalo firmemente e aos poucos, bem aos poucos se aproximou. A cada galope os lábios dele ressecavam e o coração como tambores que pulsantemente tocavam, batia fazendo tum,tum,tum!!

Ao ver o jovem rei a ninfa também se apaixonou, mas sua face de melancolia transbordou, pois ela sabia que seu coração a nenhum mortal poderia pertencer, porque ao contrário dos homens ela não podia morrer, pois um deus chamado Amon não permitiria acontecer.

Amon, que era um deus poderoso, nos tempos remotos, teve seu coração roubado por Encanto, no entanto, a ninfa seu sentimento rejeitou, colerioso Amon a ninfa imortal tornou.

Aprisionando seu espírito em seu corpo, para ao menos, sempre a beleza de Encanto ficar todas as noites contemplando.

E por causa do feitiço divino todas as noites, Encanto chorava sua existência amarga. Mas naquela noite não havia lamuria em seu lugar havia uma emoção que os homens denominavam paixão.

Como se a séculos o jovem rei e Encanto fossem namorados eles se amaram e um ao outro se entregaram no meio do bosque em uma cama de folhas fazendo do vento o cobertor.E foi tão profundo o gozo de ambos que ao reino dos sonhos os levou.

Naquela madrugada, uma visita à Encanto foi fazer Amon, trazendo em mãos a mais bela jóia do mundo. Chamou por Encanto três vezes em cada um dos quatro cantos, e achou estranho não escutar a voz da ninfa lamentando.

Insistente como era continuou a procura pela ninfa tão pura, mas ao final de sua busca ele encontrou Encanto, nos braços de um homem, nua. A raiva tomou o coração de Amon e com um grande clangor o deus o casal acordou.

Dominado pela ira perguntou o porquê a Encanto, que respondeu que o jovem rei estava amando. Sangue haveria de ser derramado falou Amon irado, sem demoras o jovem rei atacou Amon, que contra-atacou, mas seu golpe perfurou o peito de Encanto, que desfaleceu e para os Elíseos lindos partiu.

O bosque então se desfez, como se a beleza fugisse do ato de Amon, diante do corpo da ninfa acabou com sua vida o jovem rei, encaminhando para o vazio sua eterna alma.

Amon então viu o final de dois espíritos. Havia pecado o deus desde o principio. Ao entender o fruto de seu sentimento egoísta lágrimas de suas pálpebras caíram no sangue que a terra regava.

Percebendo que nada poderia fazer, Amon transformou o bosque em um lindo e triste jardim, tornando o sangue lindas rosas de cor carmesim. Seu novo jardim, um jardim de sangue, para lembrar que até um deus pode falhar ao amar.