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Um Papo sobre Criação de Jogos com John Bogéa


Olá pessoas! Hoje estamos trazendo uma ótima entrevista como o post da semana, trata-se de uma conversa sobre criação de jogos com um dos designers mais badalados do momentos o John Bogéa, autor de um dos lançamentos da Retropunk, o RPG Abismo Infinito, bem como do famoso Terra Devastada.
Nesta entrevista ele falará um pouco sobre a criação de jogos, deixando algumas dicas sobre o assunto e falando em sua opinião o que constitui um autor competente então sem mais delongas vamos as suas palavras. 



1) Olá John tudo bem? Antes de mais nada o Falando de RPG agradece sua participação e de cara pergunta: Como foi o início de sua vida como jogador de RPG?

Quando era criança ganhei de presente uma caixa do D&D da Grow, minha mãe devia ter achado que era um boardgame qualquer (e, nessa época, eu era louco por boardgames). Devorei o jogo, e, mesmo sem entender direito se sabia jogar aquilo direito, mestrei várias campanhas. Daí por diante, comecei a me interessar muito por RPG, experimentar quase tudo que encontrava.



2) Quando você começou a perceber que poderia começar a criar suas próprias regras?

Acho que desde sempre. Como o D&D 1e era carente de regras para resolução de quase tudo que não fosse combater monstros ou explorar dungeons, eu acabava criando regras alternativas para vários outros aspectos que podiam ser interessantes para a história. E, claro, criava meus próprios cenários também (assim como 99% dos jogadores brasileiros). Dai peguei o gosto pela coisa e, sempre que podia, fazia experiências adaptando e criando regras.


3) O que mais contribuiu para sua formação como um criador de jogos?

Conhecer as obras dos caras que considero grandes game designers de RPG, como o Robin Laws, Vincent Baker, Ron Edwards, John Wick... e, claro, discutir bastante sobre teoria de jogos com outros jogadores que também buscam debater sobre teoria de jogos.


4) Você poderia descrever um pouco como se dá o seu processo de criação?Você tem algum método?

Eu escrevo nas minhas horas vagas (qualquer hora vaga), tô sempre por ai em lanchonetes, barzinhos, padarias e afins digitando algo no notebook. Mas antes de escrever qualquer coisa sobre o jogo, faço muita pesquisa e procuro entender sobre o que realmente quero explorar no jogo e focar todos os esforços nisso.


5) Na sua opinião quais são os atributos necessários para a construção de um bom jogo de RPG?

- Ter um tema bem definido e ser interessante, não necessariamente original, mas que traga uma nova perspectiva sobre a coisa;
- Pesquisa, sempre;
- Foco no tema, sempre;
- Descartar ou abstrair tudo que não interessa pro tema do jogo;

6) Falando um pouco sobre a atual cena do Brasil, como você encara esse momento de criação dos jogos de RPG nacionais? E para você quais são os gêneros que aparentam ser mais "férteis", no sentido de possibilidades de publicações?

Tô adorando a nova cena, dá impressão que as pessoas se livraram um pouco daquela dependência de sistemas famosos (nossa, a febre d20 foi terrível), e pararam de simplesmente reverberar fórmulas manjadas. Não sou contra elementos clássicos de sistema, desde que o uso tenha um bom motivo dentro do tema.
O melhor de tudo é que se voltou a falar bastante sobre RPG, não somente sobre jogo X ou Y, mas falar de RPG de forma geral, discutindo Game Design e fazendo experiências em projetos pessoais.

Não sei se existe um gênero “mais fértil” para publicações, quer dizer, é óbvio que a preferência nacional é por fantasia medieval D&Dística, mas já existe tanta coisa sobre isso no Brasil que talvez não desperte tanto o interesse de quem quer algo novo. Acho que o importante é fazer bem feito, independente do gênero.


7) Sobre jogos já construídos. Você acha que as regras escritas de maneira coerente é o suficiente para se conseguir a publicação ou ter o livro pronto, com ilustrações e diagramação pode ser um elemento decisivo para a publicação por uma editora?

Uma boa apresentação visual sempre ajuda (não só no RPG), é o cartão de visitas do jogo, é o que te convida a ler o texto; com certeza conta muito para conseguir atenção, mas não acho que seja essencial ou mais importante que regras bem escritas. Dogs In The Vineyard (do Vincent Baker) é um dos melhores jogos que já li na vida, e não tem nenhum tipo de apelo visual, parece um documento comum do Word exportado em PDF.


8) Levando ainda em consideração o atual momento brasileiro, o que em sua opinião de criador de jogos o que define o sucesso ou fracasso de um jogo?

Nossa, queria saber dessa resposta (hauahua). Mas existem vários tipos de sucessos, o sucesso financeiro, o sucesso de design, o sucesso de produção, o sucesso de publicidade... Acho (achismo mesmo) que um jogo de sucesso é aquele que consegue um desempenho na maioria desses aspectos (ou não).


9)  Estamos chegando ao fim e por isso perguntamos,  quais suas dicas para aqueles que estão iniciando o trabalho de criação de um jogo de RPG?

Discutam muito sobre teoria de RPG, isso é importantíssimo. Diferente de 20 anos atrás, existem inúmeros espaços na internet pra isso. E, nunca, nunca, nunca sejam puristas demais, radicais demais ou saudosistas demais.


10) Obrigado pelas suas palavras John sucesso nas suas próximas obras, agora  você poderia deixar uma saudação para nossos leitores e divulgar onde podemos encontrar notícias e novidades sobre suas obras?

Comprem livros, joguem RPG, e divirtam-se.
Tenho um site pessoal, o SalaCentoeUm.com, que vive de manutenção (hehheh). De qualquer forma as pessoas podem ficar ligadas no Twitter (@johnbogea; @SalaCentoeUm) ou facebook (/johnbogea; /AbismoInfinito; /TerraDevastada; /Salacentoeum) que to sempre postando novidades.