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Interpretação Livre

Olá pessoas! Hoje no Falando de RPG trataremos de um assunto bem interessante, falaremos um pouco sobre  interpretação e sistemas de RPG; e de como essas duas partes primordiais se entrelaçam, atentando para a ideia de liberdade e restrição da interpretação e de sua relação com o arcabouço de regras dos sistemas.
Comecemos pelo óbvio, como todos sabem o RPG é um jogo de interpretação, nele  assumimos o papel de um personagem e desempenhamos ações, tais ações - lúdicas por natureza, são mediadas por um conjunto de regras que tem como papel fundamental intermediar as ações e a aleatoriedade de algum instrumento, como dados por exemplo, propiciando a experiência do jogo e a construção da história proposta;  contudo, a grande questão  a ser respondida é: essa mediação influencia de maneira massiva na forma de interpretar em determinado jogo?
O que se pode dizer primeiramente é que a impressão tida é a de que existem jogos mais soltos e jogos mais robustos quando o assunto são regras, existem jogos mais focados em combate e outros menos focados e existem jogos mais táticos e outros menos táticos; no entanto, mesmo com essa primeira impressão, será mesmo que encontramos uma verdade ao falarmos que, por causa dessas características, um jogo engessa mais a interpretação do que outro ? Ou será que no final das contas nós somos levados a essa verdade?
Obviamente, nós não podemos negar que cada sistema tem uma proposta e nesse sentido direciona o jogo para um determinado foco, abrangendo-o e detalhando-o de maneira mais desenvolvida; mas nós também sabemos que nenhuma mesa de D&D por exemplo é igual a outra, pois nenhum grupo "constrói" sua história da mesma maneira, então por qual razão afirmamos que o sistema X torna mais livre a interpretação do que o Y? Não somos nós que construímos no fim as nossas formas de jogar?
Minha humilde opinião é que existem pontos de investimento por parte dos sistemas, alguns investem na tática, como foi o caso da 4ed. e em grau menor 3ed., outros preferem deixar o combate mais imaginativo, alguns investem em  vantagens e outros não; porém esses investimentos não são restrições para a interpretação per si talvez eles possam apresentar um modelo ou uma forma, mas esta forma com toda a certeza não é dura, é sim muito maleável quando há maturidade do grupo.
Acho dessa maneira que muito do trabalho para libertar a interpretação está no grupo de jogo, jogadores e mestres são os responsáveis pelo aspecto lúdico do jogo, talvez uma ficha simples possa ajudar a despertar a criatividade de um jogador criativo, porém estou certo de que a primeira não é o pré-requisito para segunda, da mesma maneira não acredito que uma ficha muito complexa venha a castrar a criatividade de um jogador criativo, pois se este assim for de fato, desprezará o caráter supérfluo de sua ficha e dará asas a sua imaginação.
O mesmo processo ocorrerá com o mestre, se este tem em mão um sistema simples que não cobre uma determinada ação ele usará o bom senso para definir o que ocorrerá, da mesma forma um mestre criativo tendo em mãos um sistema de regras robustas usará delas apenas o necessário e agilizará aquilo que lhe convier.
Enfim, para mim o problema no final é a sensação de conforto e não a liberdade da interpretação que um jogo permite e outro restringe mais, pois tudo é adaptável quando o assunto é RPG, ficamos no final das contas com aquile sistema que nos dá mais prazer, nos traz mais conforto, seja esse eterno ou apenas temporário. No final das contas o quem faz a interpretação mais livre ou mais castrada somos nós; e ai  vocês não acham?

Espero as respostas nos comentários