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Respirando Novas Influências: Como construir um universo fantástico sem os padrões europeus

Olá senhores e senhoras! Estou mais uma vez aqui ( uma vitória aliás, pois o meu penúltimo período de faculdade pegou valendo) para falar um pouco sobre como podemos construir um universo fantástico, semelhante aos moldes "canônicos" do d&d, mas aos mesmo tempo; e paradoxalmente, diferente do que estamos acostumados a experimentar.
A proposta é então esquecer um pouco os mitos europeus e seus desdobramentos tolkianos, encontrar pois novos elementos que possam compor a nossa "fantasia medieval"( por falta de termo melhor vou manter este mesmo), apelar dessa maneira a novas cosmologias, novas mitologias e consequentemente a todo um novo conjunto simbólico, que nos sirva de ferramenta para a nossa atividade lúdica.
Acho assim, que a primeira coisa é fugir do óbvio, ou seja , deixemos de lado também a mitologia oriental (nitidamente encarada como "escape" ao óbvio, mas que por isso também se tornou o escape previsível) e abarquemos em seu lugar a mitologia indígena, que por sinal é muito rica e interessante para os fins que desejamos.
Nela podemos encontrar tudo que compõe o universo de um bom jogo de fantasia medieval, temos deuses, heróis e criaturas estranhas, bizarras e sobrenaturais que são poderosas e estranhas a maioria dos mortais, sendo assim, temos toda a estética necessária para um novo jogo/cenário, temos todos os elementos para substituir os elementos europeus tolkianos.
Mas, para não ficar só na conversa eu vou apresentar dois elementos indígenas que se aplicariam muito bem a uma mesa de RPG, vamos a eles:




  • Os Cupendipe (Kupe-Dyeb)/Homens de Asas- Lenda retratada entre grupos da tribo dos Apinayé, trata-se de um grupo de criaturas, na verdade índios, que possuíam asas, de hábitos noturnos e que voavam semelhantemente a morcegos. Habitavam em altos de morros dentro de cavernas. Quando saiam em voo, o Cupendipe portavam os machados da lua com os quais degolavam  as pessoas e os animais.
  •   Berahatxi Mahadu, ou povo do fundo das águas- Esse é o povo mítico que deu origem aos Karajá, de acordo com a lenda eles habitavam um espaço restrito e frio, mas neste local eles eram gordos, felizes e ao que se entende imortais, ou pelo menos difíceis de morrer, também podiam controlar ou ao menos negociar com grandes animais.


Como se pode ver com esses pequeninos exemplos a cultura indígena é muito rica e pode servir de matéria-prima para grandes jogos/cenários,fugindo assim de maneira bem interessante dos padrões mais tradicionais da fantasia medieval, sua adaptação no final das contas não se torna difícil, pois a maioria de nós já está acostumado a criar novos monstros ,raças ou modificar as já existentes.
Enfim, quero dizer que pretendo brevemente fazer algo do tipo, talvez apresentar uma artefato, ou criatura de uma dessas mitologias para o d&d 4ed.; contudo, isso não é minha maior prioridade, tive assim como intensão desse artigo apenas abrir os nossos olhos para outras janelas mitológicas, algo que poderia ter sido explorado de maneira mais efetiva no concurso da editora RedBox, mas que ao meu ver não foi. Então é isso, espero que tenham gostado espero os comentários até breve!