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Religião, Religare e os Mundos de RPG

Olá pessoas! Depois de um hiato, estou aqui novamente para compartilhar um novo post com vocês senhores e senhoras, post que terá como tema a religião e os mundos de RPG, sua profundidade e superficialidade, um tema que me veio à mente depois de ler este post do Portal RPG Online
No post referido há uma crítica destinada a  superficialidade da religião nos mundos de RPG e  nos jogos de alguns mestres e interpretações dos  jogadores, ressaltando que a religião é uma parte extremamente importante dos jogos e que deveria ter mais valor nas interpretações dos jogadores e mestres que vivenciam a experiência de criar histórias com personagens voltados a religião.
Diante disso, resolvi pensar sobre a ideia de religião, o conceito mesmo, e o que ele pode trazer para os jogadores e mestres em suas interpretações. Sabemos que religião vem da palavra "religare" que significa neste contexto religar o divino com o material, pensando nisso, podemos chegar a primeira conclusão sobre personagens religiosos: Eles acreditam ter sido religados, chamados e vocacionados a levar a mesma mensagem de religação ao mundo.
Antes de máquinas de cura, eles são evangelistas da sua convicção e aconselhadores daqueles que seguem a sua fé e daqueles que não seguem a sua fé também, são heróis que tem como principal e fundamental papel o apoio aos outros heróis e aqueles que eles por ventura salvam, pois ao contrário dos outros que até podem ter fé, os homens religiosos têm experiências mais profundas e intensas, são os únicos dentre os únicos capazes de mover com suas orações forças divinas e realizar milagres.
Sua principal missão não é ir e conferir aos outros jogadores um suporte para alongar suas vidas dentro de dungeons, sua principal missão é levar de forma particular e biográfica sua fé, ou seja,usar da própria vida e de suas experiências pessoais para levar a mensagem de seu deus,   ser um personagem religioso é devotar a vida a sua prática de fé, pois foi esta que  trouxe o respectivo deus para o cotidiano do personagem de uma maneira plena.
Então pensando na premissa "o deus no cotidiano do personagem religioso de uma maneira plena" chegamos ao segundo ponto que eu queria refletir hoje: As manifestações de uma religião vão mais além que os poderes sobrenaturais concedidos por ela, as manifestações são as atitudes do próprio cotidiano do personagem, seu jeito de falar, andar, de vestir-se, enfim de se comportar e agir sobre o mundo.
Há sempre um conjunto de práticas que devem acompanhar um conjunto de crenças, então personagens religiosos devem ser personagens profundos, a religião, no seu mundo mestre, deve ser profunda complexa e contraditória também. Por qual razão o culto ao deus do sol deve ser uniforme? Será que não existem ordens que disputam entre si a maneira correta de viver  e interpretar as palavras do deus? E os clérigos, será que cada deus não apresentaria um clérigo diferente do outro, com regras de alimentação, guardo de um dia da semana, alimentos ou coisas do tipo? E as próprias ordens não teriam divergências entre si, conflitos e interesses que poderiam levar a um jogo de influências?
Maneirismo de falar, dogmas diferenciados, uso ou não de ídolos, vestes especiais ou não, modos de crer divergentes entre membros da mesma religião, todos esses elementos fazem parte da ideia de religação em um sentido social,  além claro dos conflitos inter-religiosos, dos conflitos pessoais e interpessoais, bem como todo o apoio emocional que um personagem desse tipo deve dar aos seus semelhantes.
Enfim, religião, religare e os mundos de RPG é um bom assunto, pensar sobre manifestações religiosas vai muito mais além do que definir mitos básicos, trata-se de um processo de construção de veracidade e lógica interna, de profundidade mesmo e enriquecimento tanto do mundo como um todo, como de uma aventura campanha ou personagem. Vocês não concordam?